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Deolane Bezerra é presa em operação que mira lavagem de dinheiro do PCC

Há 5 meses
Atualizado quinta-feira, 21 de maio de 2026

Da Redação

Influenciadora e advogada foi detida em ação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo que investiga esquema financeiro ligado à cúpula do PCC

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em parceria com a Polícia Civil. A ação mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), com ramificações que chegam à família de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe da maior facção criminosa do país.

Ao todo, seis mandados de prisão preventiva foram expedidos. Além de Deolane, foi preso Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como operador financeiro do esquema. Deolane havia passado as últimas semanas em Roma, na Itália, chegou a ter o nome incluído na lista vermelha da Interpol e retornou ao Brasil na véspera da operação.

Como o esquema funcionava

No centro da investigação está uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, apontada como fachada para movimentar recursos da facção. Segundo os investigadores, os valores saíam do caixa do PCC por meio da empresa e eram distribuídos a integrantes da cúpula e a pessoas próximas a ela.

Everton de Souza aparece nas mensagens interceptadas dando orientações sobre como distribuir o dinheiro e indicando contas para depósito — entre elas, a de Deolane Bezerra. A técnica usada, chamada de smurfing, consiste em fracionar depósitos em valores abaixo de R$ 10 mil para dificultar a detecção pelas autoridades.

O rastro do dinheiro até Deolane

Entre 2018 e 2021, a conta pessoal de Deolane recebeu R$ 1,06 milhão em depósitos fracionados. Outras duas empresas ligadas a ela receberam cerca de R$ 716 mil provenientes de uma suposta instituição de crédito cujo responsável é um morador da Bahia com renda de aproximadamente um salário mínimo mensal.

Os investigadores não identificaram nenhuma prestação de serviço jurídico ou outra atividade formal que justificasse os valores recebidos. A análise das contas também não apontou nenhum pagamento de volta às fontes desses depósitos, o que reforça a suspeita de que o dinheiro seria de origem ilícita sendo ocultado com aparência de legalidade.

Família de Marcola também é alvo

A operação também expediu mandados contra parentes de Marcola. Seu irmão, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, estão entre os investigados. Paloma foi presa nesta na Espanha e Leonardo estaria, na Bolívia, segundo a polícia. Marcola e Alejandro já estão presos na Penitenciária Federal de Brasília e receberão notificação da nova ordem judicial.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e o congelamento de R$ 357,5 milhões em ativos dos investigados. No caso específico de Deolane, o bloqueio foi de R$ 27 milhões — valor que ela não teria comprovado a origem.

Uma investigação que começou com bilhetes de presídio

O caso tem raízes em 2019, quando agentes da Polícia Penal apreenderam manuscritos com dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os bilhetes continham referências a ordens internas da facção e menções a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para planejar ataques.

A partir daí, três inquéritos sucessivos foram abertos, cada um revelando uma nova camada do esquema. Em 2021, a Operação Lado a Lado identificou a transportadora como braço financeiro da facção. A apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos — apontado como operador central e ainda foragido — trouxe imagens de depósitos nas contas de Deolane e de Everton de Souza, abrindo caminho para a etapa atual da investigação.

Por que a prisão foi decretada

Ao autorizar as prisões preventivas, a Justiça paulista entendeu que havia provas consistentes e forte indício de autoria contra todos os envolvidos. O tribunal considerou que medidas alternativas à prisão seriam insuficientes diante da sofisticação do esquema, do risco de destruição de provas e da possibilidade de fuga — agravada pelo fato de alguns suspeitos já estarem no exterior no momento da operação.

Para os investigadores, a visibilidade pública de Deolane, sua atuação empresarial formal e a movimentação patrimonial expressiva funcionavam como camadas de aparente legalidade, dificultando a identificação da origem dos recursos.

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