Da redação
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (20) a indicação do ministro Benedito Gonçalves (STJ) para o cargo de corregedor nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no período de 2026 a 2028. A votação, realizada em caráter secreto, resultou em 21 votos favoráveis e apenas 5 contrários. A indicação partiu do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi relatada pelo senador Cid Gomes (PSB-CE) e seguirá, em regime de urgência, para apreciação do Plenário do Senado.
A sabatina ocorreu pouco mais de três semanas após a CCJ ter validado a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) — indicação que, no entanto, foi derrubada pelo Plenário. A sessão desta quarta reuniu ministros do STJ nas galerias, o que o próprio relator Cid Gomes interpretou como demonstração do prestígio de Gonçalves entre os pares. Ao longo da audiência, senadores de diferentes espectros políticos questionaram o indicado sobre decisões polêmicas, suspeições e o papel do CNJ na fiscalização do Judiciário.
Uma trajetória de superação
Com mais de 50 anos de vida pública e 38 deles dedicados à magistratura, Benedito Gonçalves construiu uma carreira que começou nas escolas públicas e em bolsas de estudo. Antes de se tornar juiz, passou por funções como inspetor de alunos no Rio de Janeiro, papiloscopista na Polícia Federal e delegado de polícia no Distrito Federal. Em 1988, ingressou na carreira de juiz federal, com atuações no Rio de Janeiro, no Paraná e no Rio Grande do Sul.
A ascensão na magistratura seguiu um ritmo de uma década em cada degrau: dez anos após ingressar como juiz federal, foi promovido a desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região; outros dez anos mais tarde, alcançou o posto de ministro do STJ, cargo que ocupa até hoje. Em sua fala inicial na sabatina, Gonçalves ressaltou que a origem humilde “não limita o destino de quem encontra, no trabalho sério e na dedicação constante, a força para seguir adiante”.
Próximos passos
Com a aprovação na CCJ, Benedito Gonçalves segue para o voto do Plenário do Senado, onde precisará de maioria simples para confirmar sua indicação ao cargo de corregedor nacional de Justiça do CNJ. O posto tem relevância estratégica: cabe à corregedoria fiscalizar magistrados e servidores do Judiciário em todo o país, além de investigar denúncias e propor medidas disciplinares.
A votação desta quarta-feira mostrou que Gonçalves tem amplo apoio político na Casa, mas também deixou claro que parcelas da oposição seguirão atentas à sua atuação à frente da corregedoria — sobretudo em temas sensíveis como eleições, liberdade de expressão e independência entre os Poderes. O Plenário ainda não tem data definida para apreciar a indicação.
*Com informações da Agência Senado