Da Redação
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou formalmente aos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores a abertura de processo de extradição do auditor fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo Alberto Toshio Murakami, que está foragido nos Estados Unidos.
Chamado no seu entorno como “o americano”, ele foi um dos alvos da Operação Ícaro, deflagrada em agosto do ano passado, que investiga suposto esquema bilionário de propinas instalado em áreas sensíveis da Receita paulista.
Difusão vermelha da Interpol
Murakami teve seu nome lançado em janeiro na Difusão Vermelha da Interpol, que inclui pessoas procuradas em todo o mundo. Os promotores que o investigam pediram à 1.ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro da Capital para iniciar os trâmites do procedimento com fundamento no Tratado de Extradição entre o Brasil e os Estados Unidos, via Departamento de Justiça americano.
A medida foi requerida no bojo de uma nova denúncia criminal contra o auditor, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e também organização criminosa. Outros dez acusados são citados. Os promotores pediram a prisão preventiva de seis alvos, entre eles o auditor, que já está com a custódia decretada há nove meses em outro processo.
Núcleo da organização criminosa
Segundo os promotores, “Americano” atualmente reside em uma mansão de mil metros quadrados avaliada em US$ 1,3 milhão, localizada em Clarksville, Tennessee. Conforme denúncia do Ministério Público, ele fazia parte do “núcleo de agentes públicos” da organização criminosa ao lado de dois colegas da Fazenda, Artur Gomes da Silva Neto, apontado como o “cérebro” do esquema, e Marcelo de Almeida Gouvea, ambos já presos.
“Valendo-se de seus respectivos cargos públicos e de suas circunscrições funcionais, o grupo atuava dentro da estrutura da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo para viabilizar, em favor das empresas contribuintes corruptoras, o ressarcimento de créditos de ICMS-ST de modo célere, inflado e, ao final, a aprovação de sua revenda a terceiros”, destaca o documento elaborado pelos promotores.
Alberto Murakami, que se aposentou em meio ao esquema em operação, era auditor fiscal de Rendas lotado na Delegacia Tributária III, no Butantã.
— Com Agências de Notícias