Da Redação
O Banco Central reduziu a taxa Selic pela segunda vez consecutiva, num cenário de inflação ainda pressionada pela guerra no Oriente Médio
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, cortar a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic passou de 14,75% para 14,5% ao ano — um alívio modesto, mas esperado pelo mercado financeiro.
A decisão foi tomada na reunião de abril do Copom e representa o segundo corte seguido após um longo período de estabilidade. Entre junho de 2025 e março deste ano, os juros haviam permanecido em 15% ao ano, o patamar mais alto em quase duas décadas.
Por que os juros foram cortados agora?
A principal razão para o corte é a trajetória de queda da inflação observada nos últimos meses. Quando os preços mostram tendência de recuo, o Banco Central ganha margem para reduzir os juros sem colocar em risco o controle da inflação.
Mesmo assim, o cenário não é tranquilo. A guerra no Oriente Médio tem pressionado os preços de combustíveis e alimentos no mundo todo, o que dificulta o trabalho do Copom. Em nota, o comitê afirmou que está monitorando os desdobramentos do conflito e seus possíveis efeitos sobre a inflação brasileira.
Como está a inflação no Brasil?
O índice que mede a inflação oficial no Brasil é o IPCA. A prévia de abril, medida pelo IPCA-15, registrou alta de 0,89% no mês. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador chegou a 4,37% — acima dos 3,9% registrados em março.
A meta oficial de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de até 4,5% para cima. Ou seja, o número atual ainda está dentro do limite, mas próximo do teto. As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central estão mais pessimistas: projetam inflação de 4,86% no fechamento do ano, já acima do teto permitido. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, essa estimativa estava em 3,95%.
O que muda na prática para quem precisa de crédito?
Quando a Selic cai, os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e cartões de crédito tendem a acompanhar o movimento — ainda que com alguma defasagem. Na prática, o crédito fica um pouco mais barato, o que estimula o consumo e pode aquecer a economia.
O Banco Central projeta crescimento de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. O mercado financeiro é ligeiramente mais otimista, com previsão de expansão de 1,85%.
Copom funcionou com vagas em aberto
A reunião desta semana ocorreu com o comitê incompleto. Dois diretores tiveram o mandato encerrado no fim de 2025 — os responsáveis pelas áreas de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica — e o presidente Lula ainda não enviou os nomes dos substitutos ao Congresso Nacional.
Além disso, o diretor de Administração se ausentou da reunião em razão do falecimento de um familiar de primeiro grau. Mesmo assim, a decisão foi tomada por unanimidade entre os presentes.
O que vem por aí?
O Copom não sinalizou claramente qual será o próximo passo. O comunicado oficial destacou que as incertezas em torno da guerra no Oriente Médio tornam mais difícil prever o comportamento da inflação, e que novas projeções serão publicadas no próximo Relatório de Política Monetária, previsto para o fim de junho. Por enquanto, o Banco Central segue num caminho de cautela: corta os juros com passos pequenos e observa de perto como a economia — e o mundo — vai reagir.