Da Redação
A Justiça de São Paulo revogou a prisão temporária de dois investigados pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, que caiu de cerca de 30 metros durante um salto de rope jump sem a corda de segurança, no interior paulista. A decisão foi proferida pela juíza Marcella Caliani, da 2ª vara Criminal de Limeira (SP), após a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) entenderem que não havia mais fundamentos para manter a medida cautelar.
Os liberados foram João Antonio Pivetta Ribeiro da Silvae Gabriel Barros Martins. Na última terça-feira (07/07), o MPSP denunciou quatro pessoas pela morte da jovem: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves.
Homicídio qualificado
Os três primeiros responderão por homicídio qualificado com dolo eventual, pelas qualificadoras de motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Enquanto Evelyne foi denunciada pelo mesmo crime na modalidade de omissão imprópria, por supostamente ocupar posição de garantidora da segurança dos participantes.
Além disso, ela também será indiciada por fraude processual por supostamente determinar a exclusão de imagens gravadas pela vítima em uma câmera GoPro. O dolo eventual se dá quando se assume o risco de matar embora não haja a intenção. Os quatro seguem presos.
“Pleno conhecimento”
Na denúncia, o MPSP ressaltou que os responsáveis pela execução do salto “tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias”, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla checagem dos equipamentos.
A denúncia também aponta que “o grupo atuava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais aplicáveis e priorizava interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes”.
“Sem intenção”, diz advogado
Dos advogados dos indiciados que se manifestaram, o que atua na defesa de Maicon Fernandes e de Luis Felipe informou que discorda da denúncia do MP e que nenhum dos dois teve a intenção de matar a vítima ou assumir o risco da conduta.
Já a defesa de Evelyne informou que vai se pronunciar em momento oportuno. Os promotores pediram, ainda, que o Poder Judiciário fixe pagamento de R$ 200 mil em reparação aos danos causados aos familiares de Maria Eduarda.
Esporte de alto risco
Maria Eduarda foi lançada sem cordas no dia 13 de junho durante um salto de rope jump — modalidade esportiva de salto — a 40 metros de altura. Os acusados, integrantes da equipe responsável por esse tipo de esporte, não colocaram os equipamentos de segurança considerados obrigatórios na jovem.
O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes.
— Com Agências de Notícias