Por Hylda Cavalcanti
Alguns personagens do cenário político, policial e econômico desaparecem ou procuram ter uma vida discreta após escândalos e condenações. Outros, nunca deixam de circular e protagonizar casos. E há um terceiro grupo que, vez por outra, quando eram dados por esquecidos — pelo menos pela maior parte dos brasileiros — volta à tona. É o caso do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira.
Cachoeira voltou a ser preso na tarde desta quarta-feira (13/05), no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Décadas depois de ter protagonizado alguns dos maiores escândalos do país, teve mais uma vez um mandado de prisão preventiva expedido contra ele pela 8ª Vara Criminal de Goiânia (GO).
Calúnia, difamação e injúria
Na mais recente apuração, é acusado por crimes de calúnia, difamação e injúria. Responde a processo de difamação contra o delegado de Goiás, Francisco Lipari, da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), em Goiânia. O processo tramita em segredo de Justiça, porém, informações divulgadas na época em que o caso foi iniciado, em 2024, ressaltam que ele teria feito publicações divulgando mensagens sigilosas sobre Lipari.
Procurado, o seu advogado de defesa disse que não vai se manifestar sobre a prisão. Até o momento, não foram divulgados mais detalhes sobre o andamento do processo ou sobre a motivação específica da decisão judicial.
Duas operações nacionais
Conhecido nacionalmente por envolvimento em esquemas de jogos ilegais, Carlos Cachoeira já foi alvo de uma das operações de maior repercussão da Polícia Federal na última década. A principal foi a Operação Monte Carlo, deflagrada em 2012, que apontou a existência de uma rede de exploração de caça-níqueis, além de suspeitas de corrupção e influência sobre agentes públicos, empresários e políticos.
O caso ganhou grande repercussão porque escutas telefônicas revelaram ligações frequentes entre Cachoeira e o então senador Demóstenes Torres, além de citações a autoridades e empresários. As investigações também atingiram a construtora Delta e resultaram na criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira no Congresso.
Propina e jogos ilegais
O então empresário já havia aparecido em outro escândalo político em 2004, no caso Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil do governo Lula, flagrado em vídeo tratando de propina e jogos ilegais.
Preso em 2012, o contraventor foi condenado por crimes como corrupção, formação de quadrilha e exploração de jogos ilegais, com penas que ultrapassaram 39 anos de prisão. Apesar disso, respondeu parte dos processos em liberdade após recursos judiciais. Aguarda-se o desenrolar de mais um capítulo da sua intricada trajetória.
— Com informações de Agências de Notícias e da Justiça de GO