Da Redação
Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, foi detido nesta quinta-feira, 14, durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A investigação apura se ele continuou bancando uma estrutura ilegal de vigilância e obtenção de dados sigilosos mesmo depois que a operação já havia sido deflagrada, em novembro de 2025.
A prisão foi autorizada pela Justiça com base em mensagens encontradas no celular de um dos suspeitos, que indicam repasses de dinheiro e pedidos de informações reservadas feitos pelo investigado após o início das investigações.
O que é a “Turma” e qual seria o papel dela
Segundo a decisão judicial, existia um núcleo operacional chamado de “A Turma” — e também “Os Meninos” — ligado ao grupo de Daniel Vorcaro. Esse grupo teria como função intimidar pessoas, monitorar alvos e conseguir informações confidenciais de forma ilegal para proteger os interesses da organização investigada.
A PF suspeita que Henrique Vorcaro era um dos financiadores dessa estrutura. De acordo com os investigadores, mensagens trocadas entre ele e Marilson Roseno da Silva — apontado como operador do esquema — mostram cobranças de pagamentos mensais atrasados e a promessa de envio de R$ 400 mil.
As mensagens que embasaram a prisão
Em uma conversa de 6 de janeiro de 2026, Marilson desejou feliz ano novo e, no mesmo contexto, reclamou que estava “segurando uma manada de búfalo” e precisava do pagamento combinado. Henrique respondeu que enviaria os recursos assim que os recebesse — e sinalizou o valor de R$ 400 mil. Marilson, por sua vez, pediu o dobro: R$ 800 mil.
Em fevereiro do mesmo ano, já com a operação em andamento, Henrique teria enviado outra mensagem ao grupo dizendo que, naquele momento, era ele quem precisava de ajuda — sugerindo que ainda recorria à estrutura para se proteger.
Policiais federais teriam vazado dados sigilosos
A decisão judicial também aponta que integrantes do grupo mobilizaram servidores da própria Polícia Federal para fazer consultas ilegais em sistemas internos da corporação. O objetivo seria descobrir o conteúdo de um inquérito no qual o próprio Henrique havia sido intimado a depor.
Três nomes são citados no documento: a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, o agente federal aposentado Francisco José Pereira da Silva e o policial federal da ativa Anderson Wander da Silva Lima. Valéria e Francisco teriam repassado informações obtidas no sistema eletrônico da PF, o e-Pol, a Marilson. Já Anderson é descrito como uma espécie de braço do operador dentro da corporação, articulando consultas e enviando capturas de tela com os resultados.
O que diz a defesa de Henrique Vorcaro
Os advogados de Henrique Vorcaro contestaram a prisão. Em nota, afirmaram que a decisão se apoia em fatos cuja legalidade e lógica econômica ainda não foram analisadas no processo — e que isso ocorre porque a defesa nem sequer foi consultada. Segundo os advogados, o correto seria ouvir as explicações do investigado antes de uma medida considerada por eles “grave e desnecessária”. A defesa anunciou que apresentaria esclarecimentos ainda no mesmo dia.
Os alvos dos mandados de prisão
Os alvos dos mandatos de prisão são: Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro; David Henrique Alves; Victor Lima Sedlmaier; Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos; Manoel Mendes Rodrigues; Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro; e Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado.