Por Hylda Cavalcanti
O caso está sendo tratado sob sigilo, mas já foi confirmado por fontes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o ministro Marco Aurélio Buzzi, integrante da Corte, prestará depoimento nesta segunda-feira (15/06) à comissão responsável pelo processo administrativo disciplinar (PAD) que apura denúncias contra ele por práticas de importunação sexual e assédio contra mulheres.
Na última quinta-feira (11/06) foram tomados depoimentos de 20 pessoas dentro da investigação. Dentre elas as duas mulheres que fizeram a acusação — uma jovem, filha de amigos da família do magistrado — e uma servidora do Judiciário que trabalhou no gabinete dele. Além delas, outras 20 pessoas depuseram como testemunhas de defesa e de acusação.
Etapa crucial
O depoimento de Buzzi, agora, é considerado etapa crucial para a investigação, que busca esclarecer os fatos e garantir a integridade das instituições. Na última semana, as duas mulheres que registraram as denúncias optaram por não depor pessoalmente, exercendo um direito assegurado pelas normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas depuseram de forma remota.
A primeira acusação detalha um episódio envolvendo uma jovem de 19 anos, filha de amigos da família, ocorrido durante um período de férias em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Em sua defesa, a equipe de advogados do ministro argumenta que depoimentos, imagens de câmeras de segurança, laudos médicos e perícias realizadas no local refutam as alegações. Os advogados afirmam que “as provas técnicas e orais convergem para a inexistência de qualquer ato de importunação”.
Segunda acusação
Posteriormente à primeira denúncia, uma servidora do próprio STJ também apresentou acusações de assédio contra Buzzi. A defesa, mais uma vez, afirma que as provas apresentadas indicam que o ministro e a servidora não poderiam ter permanecido sozinhos no gabinete nos horários e circunstâncias descritos. “A instrução do caso acumulou contradições e ausência de provas diretas, reforçando a tese de que as acusações contra Marco Buzzi não se sustentam nas provas produzidas até o momento”, enfatiza a nota dos advogados do ministro
Marco Buzzi encontra-se afastado de suas funções desde 10 de fevereiro. Em abril, o plenário do STJ decidiu, por unanimidade, instaurar um PAD para apurar as condutas atribuídas a ele, com base nas conclusões de uma sindicância.
— Com informações do STJ