Da Redação
Negociação mediada pelo Paquistão encerra conflito que matou milhares de pessoas e abalou a economia global; assinatura formal está prevista para sexta-feira, na Suíça
EUA e Irã anunciaram, neste domingo (14), um acordo que pode encerrar a guerra entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica que controla o fluxo de grande parte do petróleo mundial. O presidente americano Donald Trump confirmou o entendimento e autorizou o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA nos portos iranianos.
A assinatura oficial do documento está marcada para sexta-feira (19), em território suíço. O Paquistão, que atuou como principal mediador nas negociações, foi quem confirmou a data e o local do evento.
O que diz o acordo
Nenhum dos dois governos divulgou o texto completo do entendimento. Mas fontes dos dois lados vazaram informações à imprensa. Pela versão americana, transmitida pela Reuters, o acordo prevê a reabertura do estreito, o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a manutenção do congelamento dos ativos do Irã enquanto o país não cumprir suas obrigações.
Já a rede CNN Internacional, com base em fontes iranianas, aponta que o memorando inclui um cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes de conflito — incluindo o Líbano —, a reabertura do estreito sem cobrança de pedágios e o afrouxamento gradual das sanções econômicas contra o Irã.
A imprensa estatal iraniana, por sua vez, destacou que Teerã não abre mão do controle sobre o Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio — dois pontos que seguem no centro das tensões.
Como o estreito deve ser reaberto
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou o acordo em entrevista à televisão estatal, mas deixou claro que o país não começará a implementar nada antes da assinatura formal, na sexta-feira.
A previsão iraniana é de que o tráfego marítimo no estreito volte aos níveis de antes da guerra em até 30 dias. Um acordo final mais amplo, incluindo as questões nucleares, teria prazo de 60 dias para ser concluído — com possibilidade de extensão, caso as partes não cheguem a um consenso.
Queda no preço do petróleo
O anúncio do acordo gerou reação imediata nos mercados financeiros. O petróleo do tipo Brent, referência global, caiu 4% e chegou a US$ 84 por barril. O WTI, referência americana, recuou para US$ 81 por barril.
A queda reflete o alívio dos investidores diante da perspectiva de normalização do fluxo de energia pelo estreito. O Estreito de Ormuz é responsável pelo escoamento de uma parcela expressiva do petróleo, do gás natural e de fertilizantes produzidos na região do Golfo Pérsico.
O que ainda está em aberto
O acordo não resolve todas as questões que motivaram o conflito. O Irã ainda mantém seu programa de mísseis, seu estoque de urânio altamente enriquecido e o apoio a grupos armados como o Hezbollah, no Líbano.
A guerra teve início em 28 de fevereiro, com ataques que mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Seu filho assumiu o posto, embora não tenha aparecido em público desde então. A aprovação dele foi considerada essencial para que o Irã aceitasse os termos do acordo.
Críticas de dentro e de fora
O entendimento foi mal recebido pelo governo de Israel e por uma ala do próprio Partido Republicano de Trump nos EUA. Críticos afirmam que o acordo não representa avanço em relação ao pacto nuclear firmado em 2015 — do qual Trump se retirou no seu primeiro mandato, classificando-o como “ruim”.
No Irã, também houve tensões internas nas horas que antecederam o anúncio. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu união nacional e criticou parlamentares que chamaram de traidores os negociadores do acordo.
A Europa celebrou o entendimento, mas fez questão de reafirmar que o Irã não pode, sob nenhuma hipótese, desenvolver armas nucleares.