Por Carolina Villela
A Corregedoria Nacional de Justiça instaurou um Pedido de Providências após tomar conhecimento de que Eduardo Tagliaferro — réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) — havia sido designado como perito em um processo cível em tramitação na Vara Cível de Astorga, no interior do Paraná. A informação foi divulgada em nota pelo Corregedor Nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, que determinou a intimação da magistrada responsável pela indicação e da Corregedoria do Tribunal de Justiça do Paraná para que prestassem informações no prazo de cinco dias.
Ainda na quinta-feira (11), a própria magistrada revogou a designação de Tagliaferro como perito. A nota diz ainda que a Corregedoria Nacional de Justiça reafirma seu compromisso com a integridade da atividade jurisdicional e com os padrões éticos e legais que regem a atuação dos auxiliares da Justiça, informando que acompanhará o caso com atenção institucional.
Quem é Eduardo Tagliaferro
Eduardo Tagliaferro é ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde chefiava a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação. Em novembro de 2025, ele virou réu em uma ação penal após a Primeira Turma do STF aceitar acusação da PGR. O julgamento ocorreu no plenário virtual no âmbito da Petição 12936.
A denúncia foi apresentada pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, que imputou ao ex-assessor quatro crimes: violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. As acusações têm origem em supostas condutas praticadas durante o período em que Tagliaferro exercia função de confiança nos tribunais superiores.
Por ocupar cargo com acesso a informações sensíveis e sigilosas de processos em tramitação no STF e no TSE, o ex-assessor teria, segundo a acusação, compartilhado com a imprensa conversas de caráter privado mantidas com outros servidores das duas cortes. A divulgação dessas informações gerou questionamentos públicos sobre a legalidade de decisões proferidas pelo ministro Alexandre de Moraes em investigações relacionadas aos ataques ao Supremo Tribunal Federal. O gabinete de Moraes negou qualquer irregularidade, e o ministro recebeu o apoio público dos demais integrantes da Corte.
Motivações pessoais e impacto institucional, segundo o PGR
Para o Procurador-Geral da República, Tagliaferro teria agido por “intenções pessoais”, com o objetivo de desestabilizar o processo eleitoral brasileiro e impulsionar a disseminação de notícias falsas. Segundo Paulo Gonet, o propósito final das ações atribuídas ao ex-assessor seria potencializar reações ofensivas contra as autoridades responsáveis pelas investigações e ações penais em curso no país.
Atualmente, Eduardo Tagliaferro vive na Itália, país do qual também possui nacionalidade em razão de dupla cidadania. Diante disso, o governo brasileiro formalizou junto às autoridades italianas um pedido de extradição – que ainda aguarda definição das autoridades italianas – para que o réu possa responder criminalmente no Brasil pelas acusações contra ele.