Da Redação
A Polícia Federal recusou mais uma tentativa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de fechar um acordo de colaboração premiada. Para os investigadores, o material apresentado continua sem trazer informações novas o suficiente para justificar benefícios ao banqueiro, preso em Brasília e acusado de liderar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões.
O acordo segue sendo negociado de forma conjunta com a PF e com a Procuradoria-Geral da República (PGR), e esta é a segunda vez que uma proposta apresentada pela defesa do banqueiro é recusada.
Por que a proposta foi recusada
Os investigadores vinham reclamando que o material entregue pela defesa acrescentava pouco ao que a própria PF já havia levantado. A impressão era de que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas, em vez de colaborar efetivamente com as apurações — que é justamente o que se espera de uma delação premiada.
No início de maio, a defesa finalizou os anexos da proposta e entregou o material às autoridades em um pen drive. Ainda assim, o conteúdo não foi considerado suficiente para avançar no acordo.
Investigação revela esquema maior do que se imaginava
Enquanto a negociação da delação patina, as investigações seguem em ritmo acelerado — e mostram que o caso vai muito além de fraudes financeiras. A PF apreendeu mais de oito celulares de Vorcaro, e a perícia inicial de parte desses aparelhos já revelou indícios de corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
A PF acusa o banqueiro de chefiar um esquema que pode ter causado prejuízos de até R$ 12 bilhões ao sistema financeiro.
Da cela especial à cela comum
A trajetória de Vorcaro dentro do sistema prisional também chama atenção. Ele chegou a ocupar uma acomodação com características de “sala de Estado-maior” — o mesmo espaço utilizado para a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
Depois, a pedido da PF, foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde passou a cumprir as regras internas da corporação, inclusive para receber visitas de advogados.
O caminho que levou à proposta de delação
No dia 19 de março, Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF, no centro da capital. Um dia antes, seu advogado havia procurado a corporação para informar o interesse do cliente em firmar um acordo. No mesmo dia da transferência, o banqueiro assinou o termo de confidencialidade, abrindo formalmente o caminho para a negociação.
A primeira proposta foi rejeitada no mês passado. Agora, com a segunda recusa, a defesa terá de decidir seus próximos passos em uma negociação que, até aqui, não conseguiu convencer os investigadores.