Da Redação
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel registrada sob o número BR-06939/2026, que avaliava a disputa pela Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão liminar — de caráter provisório — é do presidente do Tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, e foi tomada após pedido do Partido Liberal (PL), que alegou que o questionário foi construído para induzir respostas em desfavor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão ainda será levada a referendo na sessão colegiada do TSE.
O ministro considerou, em análise preliminar, que há elementos concretos que indicam possível contaminação metodológica da pesquisa. Entre os fatores que motivaram a medida, está a veiculação de um áudio de investigação durante a aplicação do questionário — prática que, segundo Kassio Nunes Marques, extrapolaria o papel de mera aferição da opinião pública e configuraria tentativa de interferência nas respostas dos entrevistados.
Partido Liberal aciona o TSE
O pedido de suspensão partiu do Partido Liberal, legenda à qual pertencem tanto o ex-presidente Jair Bolsonaro quanto o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República em 2026. A sigla argumentou que o formato do questionário não tinha como objetivo mensurar a intenção de voto de forma imparcial, mas sim produzir resultados que prejudicassem a imagem e o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro nas simulações divulgadas.
Ao analisar o pedido, o ministro Kassio Nunes Marques foi além da argumentação do partido e verificou os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa. Em sua decisão, ele destacou que as demais 27 pesquisas conduzidas pela AtlasIntel não continham perguntas com teor semelhante ao da pesquisa contestada, tampouco faziam uso de áudio durante as entrevistas.
Esse contraste reforçou, para o presidente do TSE, a tese de que a metodologia adotada na pesquisa impugnada destoava do padrão habitualmente utilizado pela empresa, o que “em juízo de cognição sumária” — ou seja, em uma avaliação inicial e não definitiva — indica comprometimento da metodologia.
CEO da AtlasIntel reconheceu viés político
Um elemento central para a decisão foi uma entrevista concedida pelo CEO da AtlasIntel à CNN Brasil no dia 19 de maio. Na ocasião, o executivo reconheceu o viés político do conteúdo apresentado aos entrevistados e admitiu que isso representava um desgaste eleitoral. Para o ministro, essa declaração pública reforça os indícios de que a pesquisa pode ter ultrapassado os limites da regular aferição estatística.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, afirmou Kassio Nunes Marques em trecho da decisão.
O ministro também ressaltou que a concessão da liminar parcial — que suspende a divulgação, o impulsionamento, a republicação e a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da AtlasIntel — não representa risco caso a regularidade metodológica do levantamento seja posteriormente comprovada.
Próximos passos: AtlasIntel deve apresentar documentação técnica
Com a decisão em mãos, a AtlasIntel foi notificada a apresentar documentação técnica complementar que demonstre a regularidade da metodologia empregada, com ênfase especial no uso do áudio durante a coleta de dados. O Ministério Público Eleitoral também foi chamado a se manifestar no prazo de um dia, reforçando o caráter urgente do processo.
A decisão liminar tem efeito imediato, mas caráter provisório. O caso será submetido ao plenário do TSE, onde os demais ministros terão a palavra final sobre a manutenção ou revogação da suspensão.