Charge alusiva À política do BigStick, simbolizando o imperialismo americano

Por que as Américas tremem diante da volta do imperialismo dos EUA em países do continente

Há 2 semanas
Atualizado sábado, 3 de janeiro de 2026

Doutrina Monroe serviu de base para séculos de golpes, invasões e sabotagens a governos locais na região

Ao longo dos dois últimos séculos, os Estados Unidos construíram uma longa trajetória de intervenções militares, golpes de Estado e ações secretas na América Latina, muitas vezes derrubando governos eleitos democraticamente e impondo seus interesses geopolíticos e econômicos. Essa atuação encontra respaldo na Doutrina Monroe, formulada em 1823, e consolidada por políticas posteriores que reafirmaram o papel dos EUA como potência hegemônica no continente.

De forma direta ou indireta, os EUA participaram da queda de líderes políticos, financiaram movimentos armados, ocuparam territórios por décadas e sabotaram experiências de autodeterminação em diversos países latino-americanos — do México à Venezuela.

Doutrina Monroe: “a América para os americanos”

Proclamada em 1823, a Doutrina Monroe foi apresentada como um instrumento de defesa contra o colonialismo europeu no continente americano. No entanto, ao longo dos anos, o lema “a América para os americanos” passou a ser interpretado como “a América para os interesses dos Estados Unidos”.

A partir do final do século XIX, com o avanço do imperialismo americano, a doutrina se transformou em pretexto para ações de dominação política, econômica e militar na região. A América Latina tornou-se, de fato, uma zona de influência exclusiva de Washington.

Golpes, ocupações e sabotagens

Entre os casos mais emblemáticos está o golpe de 1954 na Guatemala, quando a CIA orquestrou a derrubada do presidente Jacobo Árbenz após a expropriação de terras da United Fruit Company, uma gigante americana do setor agrícola. Em 1973, no Chile, os EUA financiaram e apoiaram o golpe do general Pinochet contra o socialista Salvador Allende, eleito democraticamente.

No Panamá, a interferência começou com o apoio à separação da Colômbia em 1903, seguida pela construção do Canal. Décadas depois, em 1989, os EUA invadiram o país para capturar o general Noriega, ex-aliado transformado em inimigo.

No Caribe, a presença americana foi ainda mais direta: ocupações militares em Cuba, Haiti e República Dominicana marcaram o século XX. Em muitos casos, as tropas permaneceram por anos, controlando governos e impondo reformas favoráveis às empresas dos EUA.

A Guerra Fria e a obsessão anticomunista

Durante a Guerra Fria, a justificativa predominante passou a ser o combate ao comunismo. No El Salvador e na Nicarágua dos anos 1980, os EUA financiaram e treinaram forças paramilitares para conter movimentos de esquerda, muitas vezes ignorando denúncias de violações graves dos direitos humanos.

Na Venezuela, as tensões se intensificaram a partir dos anos 2000, com a ascensão de Hugo Chávez. Em 2002, houve uma tentativa fracassada de golpe, com indícios de apoio de Washington. Mais recentemente, em 2026, o presidente Donald Trump anunciou a captura de Nicolás Maduro após uma operação militar americana em território venezuelano — ação condenada por diversos países.

Imperialismo disfarçado de segurança hemisférica

Apesar de frequentemente justificadas como ações em nome da “democracia”, “segurança regional” ou “combate ao narcotráfico”, as intervenções revelam um padrão de proteção dos interesses estratégicos dos EUA, muitas vezes à custa da soberania dos países vizinhos.

Esse comportamento consolidou a imagem de um imperialismo moderno, com métodos que vão desde a ação militar direta até o financiamento de ONGs e campanhas eleitorais favoráveis aos interesses de Washington.

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