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The Economista e as contradições do governo Lula: Impopular e sem prestígio externo

The Economist critica isolamento diplomático e queda de popularidade de Lula

Há 1 ano
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

A revista britânica The Economist publicou análise severa sobre o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontando perda de influência internacional e declínio da aprovação doméstica. Segundo a publicação, o petista não conseguiu se adaptar às mudanças geopolíticas globais e mantém posições que isolam o Brasil do Ocidente.

A reportagem destaca que Lula colocou o Brasil “no mapa mundial” em seus mandatos anteriores, mas agora enfrenta cenário completamente diferente. The Economist argumenta que o presidente brasileiro perdeu o pragmatismo diplomático que o caracterizava.

Críticas à política externa brasileira

The Economist cita como exemplo controverso a condenação do Brasil aos ataques americanos contra instalações nucleares iranianas em 22 de junho. A revista informa que o Itamaraty classificou os bombardeios como “violação da soberania do Irã e do direito internacional”, posicionamento que divergiu de todas as democracias ocidentais.

A publicação britânica considera problemática a proximidade do Brasil com o Irã, especialmente durante a presidência brasileira do BRICS. Segundo The Economist, o grupo de economias emergentes se transformou progressivamente em instrumento da política externa chinesa e plataforma de legitimação da guerra russa na Ucrânia.

Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas, foi citado pela revista: quanto mais a China transforma o BRICS em instrumento de sua política externa e a Rússia usa o grupo para legitimar a guerra na Ucrânia, mais difícil fica para o Brasil manter o discurso de não-alinhamento.

Relações deterioradas com Estados Unidos

The Economist aponta que Lula não estabeleceu vínculos com Donald Trump desde janeiro. A revista informa que não há registro de encontro pessoal entre os líderes, fazendo do Brasil a maior economia cujo presidente não cumprimentou o americano.

Segundo a publicação, Lula prefere cortear a China, tendo se encontrado duas vezes com Xi Jinping no último ano. The Economist reconhece como sensata apenas a tentativa brasileira de aproveitar a perda de confiança mundial nos Estados Unidos como parceiro comercial.

A revista critica iniciativas grandiosas que excedem o peso brasileiro no cenário mundial. Como exemplo, cita a visita de Lula a Moscou em maio para as comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial, onde tentou convencer Vladimir Putin a aceitar mediação brasileira na guerra ucraniana.

Problemas regionais e domésticos

The Economist destaca a ausência de pragmatismo nas relações sul-americanas. A revista menciona que Lula não dialoga com o argentino Javier Milei por diferenças ideológicas e inicialmente abraçou Nicolás Maduro, ditador venezuelano.

A publicação aponta que o Brasil permanece silencioso sobre o colapso haitiano, após ter liderado missão da ONU no país em 2010. Segundo The Economist, Lula parece incapaz de unir nações latino-americanas contra deportações migratórias e guerra tarifária de Trump.

Queda de popularidade interna

The Economist analisa que a fraqueza internacional se soma ao declínio da popularidade doméstica de Lula. A revista lembra que, entre 2003 e 2010, o Brasil colheu benefícios do boom de commodities, tornando Lula um dos líderes mais populares mundialmente.

Segundo a publicação, o Brasil mudou para a direita, e muitos brasileiros associam o Partido dos Trabalhadores à corrupção devido ao escândalo que levou Lula à prisão. The Economist observa que o país agora vive expansão do cristianismo evangélico e crescimento do emprego agrícola e na economia de bicos.

A revista cita que a aprovação pessoal de Lula oscila em torno de 40%, menor índice de seus três mandatos. Apenas 28% dos brasileiros aprovam seu governo, segundo dados mencionados pela publicação.

Humilhação no Congresso

The Economist destaca a rejeição congressional ao decreto presidencial para aumentar impostos em 25 de junho. A revista informa que foi a primeira derrubada de decreto executivo em mais de 30 anos, deixando o governo com menos espaço fiscal para gastos eleitorais de 2026.

A publicação observa que Trump critica outros líderes mais amistosos que Lula, mas permanece silencioso sobre o Brasil. The Economist especula que isso pode decorrer do déficit comercial americano de 30 bilhões de dólares anuais com o Brasil ou porque o país, geograficamente distante e geopoliticamente inerte, simplesmente não importa tanto.

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