Por Carolina Villela
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou as redes sociais para relatar uma situação de ameaça protagonizada por uma funcionária de uma empresa aérea e fazer um alerta público contra manifestações de ódio. Segundo o ministro, a funcionária, ao identificar seu nome em um cartão de embarque, declarou a um agente de polícia judicial que queria xingá-lo — e depois se “corrigiu”, dizendo que seria melhor matá-lo.
Dino afirmou que não divulgará o nome da funcionária, o da empresa nem a data do ocorrido, pois esse não é o propósito do relato. Para o ministro, o episódio ultrapassa o âmbito pessoal e representa um alerta coletivo sobre os riscos que manifestações de ódio podem representar em ambientes sensíveis, como aeroportos e voos.
Risco à segurança coletiva
Ao contextualizar o caso, Dino levantou um cenário preocupante: se outros funcionários de empresas aéreas forem “contaminados com idêntico ódio”, isso pode representar riscos concretos para a segurança de aeroportos, de voos e de outros passageiros. O ministro foi além e questionou se o problema se alastrasse para outros setores — chegando a perguntar se um cliente poderia correr o risco de ser envenenado por um funcionário movido por ódio político.
Para Dino, como ele e a funcionária não se conhecem pessoalmente, é evidente que a hostilidade foi motivada por sua atuação no STF. O pano de fundo de comportamentos como esse pode ser a polarização política.
O ministro alertou que, com o avanço do calendário eleitoral, sentimentos acirrados tendem a se intensificar — e o que hoje pode parecer um caso isolado pode se tornar um padrão de comportamento com consequências imprevisíveis.
Pedido às empresas
Diante do episódio, Dino fez um apelo direto às empresas, especialmente àquelas que lidam com o público: que realizem campanhas internas de educação cívica para orientar seus colaboradores a manter o respeito a todas as pessoas, independentemente de preferências políticas, simpatias ou opiniões.
“Cada um tem sua opinião, suas simpatias e o seu voto individual. Mas um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa ao consumir um serviço ou produto”, escreveu o ministro.
Para Dino, adotar essas campanhas de enfrentamento ao ódio político é do interesse das próprias empresas, dos consumidores e do país. “Será o melhor para a empresa e para os consumidores. Será o melhor para o Brasil”.