Estátua da Justiã, em frente ao STF

Ministros criticam investigação de Toffoli pela PF, diz Mônica Bergamo

Há 4 semanas
Atualizado sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Ministros do Supremo Tribunal Federal criticaram a atuação da Polícia Federal por investigar o ministro Dias Toffoli sem autorização da Corte, segundo informação publicada pela jornalista Mônica Bergamo. O relatório da corporação foi entregue ao presidente do tribunal, Edson Fachin, e acabou desencadeando a saída de Toffoli da relatoria do caso Banco Master.

A apuração foi apresentada no início da semana e gerou forte reação interna entre os magistrados.

Na quinta-feira (12), após reunião entre os ministros, Toffoli deixou a condução do processo que investiga supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro.

Críticas à atuação da PF

Segundo a coluna, o ministro André Mendonça foi quem fez a manifestação mais contundente durante o encontro.

“Não acho que isso seja aceitável, eu não gostaria disso para ninguém”, teria afirmado, de acordo com relatos da reunião.

A maioria dos magistrados concordou com a avaliação de que a investigação não poderia ter avançado sem autorização prévia do Supremo.

Para apurar a conduta de um integrante da Corte, a Polícia Federal precisa de autorização formal do próprio STF.

Questionamento sobre origem dos indícios

Ministros ouvidos pela coluna sustentam que o relatório entregue a Fachin indica que os indícios contra Toffoli não teriam surgido de forma fortuita.

Segundo essa interpretação, houve cruzamento de dados e pesquisas, inclusive em juntas comerciais.

“Não foi acidental, um encontro fortuito com indícios. Fizeram uma investigação à revelia do STF, e não poderiam fazer isso”, afirmou um integrante do tribunal à coluna.

O mesmo ministro acrescentou que não se tratava de simples envio de material bruto, mas de investigação efetiva envolvendo o nome do magistrado.

Divergência sobre procedimentos

Defensores da atuação da PF apresentam versão diferente.

De acordo com essa corrente, os policiais teriam seguido o procedimento adequado e encaminhado a Fachin apenas mensagens extraídas do celular de Vorcaro que mencionavam Toffoli.

Nessa leitura, não teria havido aprofundamento investigativo específico em relação ao ministro.

Ainda assim, prevaleceu entre os magistrados a avaliação de que a permanência de Toffoli na relatoria agravaria o desgaste institucional do Supremo.

Relatório e repercussão interna

A situação se intensificou após a entrega de relatório com troca de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel.

Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, e chegou a ser detido pela PF.

Nas mensagens, segundo a coluna, Vorcaro e Zettel discutem pagamentos à empresa Maridt, que tem Toffoli entre os sócios.

As conversas mencionariam transferências realizadas em 2025, ano em que teria sido concluído negócio envolvendo a compra de um resort.

Pressão e saída da relatoria

Durante a reunião, Toffoli declarou aos colegas que não era suspeito e manifestou desejo de permanecer na condução do caso.

Apesar disso, foi pressionado por ministros a deixar a relatoria, como forma de reduzir o impacto negativo sobre a imagem da Corte.

Ao final, concordou em se afastar da investigação, abrindo caminho para redistribuição do processo.

O episódio evidencia a tensão entre o Supremo e a Polícia Federal e expõe o delicado equilíbrio entre autonomia investigativa e prerrogativas institucionais da Corte.

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