Por Carolina Villela
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, manifestou nesta segunda-feira (18) solidariedade ao ministro Flávio Dino após o relato de uma ameaça sofrida por ele em um aeroporto de São Paulo. Em nota, Fachin classificou o episódio como “fato grave” e afirmou que a divergência de ideias, própria da democracia, jamais pode abrir espaço para o ódio, para a violência ou para qualquer forma de agressão pessoal.
“Manifestamos, por isso, nossa solidariedade ao Ministro Flávio Dino diante do grave fato ocorrido hoje no aeroporto de São Paulo, cujo relato foi tornado público”, escreveu Fachin. O presidente do STF ressaltou que o respeito a todas as pessoas — tenham ou não funções públicas —, às instituições e às autoridades legitimamente constituídas é condição essencial da convivência republicana.
O que aconteceu com Dino
Mais cedo, o ministro Flávio Dino havia usado as redes sociais para relatar que uma funcionária de uma empresa aérea, ao identificar seu nome em um cartão de embarque, declarou a um agente de polícia judicial que queria xingá-lo — e depois se “corrigiu”, dizendo que seria melhor matá-lo. Dino optou por não revelar o nome da funcionária, o da empresa nem a data do ocorrido, afirmando que esse não era o propósito do relato.
Para o ministro, o episódio ultrapassa o âmbito pessoal. Dino alertou que, se outros funcionários de empresas aéreas forem “contaminados com idêntico ódio”, isso pode representar riscos concretos para a segurança de aeroportos e de voos. Como ele e a funcionária não se conhecem, o ministro avaliou que a hostilidade foi motivada por sua atuação no STF, com a polarização política como pano de fundo.
Dino também fez um apelo direto às empresas que lidam com o público para que realizem campanhas internas de educação cívica, orientando colaboradores a manter o respeito a todas as pessoas, independentemente de preferências políticas. “Um cidadão não pode ter receio de sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa ao consumir um serviço ou produto”, escreveu.
Fachin pede serenidade e compromisso democrático
Na nota divulgada nesta tarde, Fachin foi além da solidariedade a Dino e fez um apelo mais amplo ao país. O presidente do STF afirmou que é necessário reafirmar os valores da civilidade, da tolerância e da paz social, especialmente em um momento de acirramento político.
“O Brasil precisa de serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana”, afirmou Fachin. A declaração vai de encontro com a preocupação levantada pelo próprio Dino sobre os riscos da polarização política em ano eleitoral.