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Menino Henry Borel

No júri do caso Henry, testemunha relata socos, afogamentos e ameaças de Jairinho desde os 3 anos

Há 5 meses
Atualizado sexta-feira, 29 de maio de 2026

Da Redação

Jovem que foi filha de namorada do réu depõe em lágrimas e descreve padrão de violência semelhante ao investigado no caso do menino Henry Borel

No quarto dia do julgamento do caso Henry Borel, no Rio de Janeiro, duas testemunhas relataram nesta quinta-feira (28) ter sofrido agressões físicas e psicológicas praticadas pelo ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho — réu acusado de matar o menino de 4 anos em março de 2021 —, revelando um padrão de violência contra crianças filhas de ex-namoradas.

Socos, afogamentos e silêncio forçado

A estudante de turismo Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, atualmente com 18 anos, relatou ter sido agredida por Jairinho desde a infância. Ela é filha de Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada do réu, e teve contato com ele aos 3 anos, quando o relacionamento entre a mãe e o então vereador começou.

Kaylane narrou que os episódios de violência ocorreram do meio para o fim desse período, que durou até ela ter cerca de 7 anos. Em depoimento prestado no 2º Tribunal do Júri, ela descreveu as agressões com detalhes e chegou a chorar em vários momentos.

A estudante declarou à Agência Brasil que Jairinho a orientava a não contar nada para a mãe sobre a violência — “para ela não ficar triste” —, e que, em uma ocasião em que machucou o braço direito, foi instruída a atribuir o ferimento às aulas de jiu-jitsu que praticava.

“Seria melhor se eu não estivesse ali”

Kaylane confirmou que ouvia do réu afirmações de que ela atrapalhava a vida da mãe e do casal, com declarações de que seria muito melhor se ela não existisse e que a mãe poderia viajar livremente caso estivesse só com ele.

A acusação tem paralelo direto com o que a investigação policial apurou sobre o menino Henry, que teria feito à mãe, Monique Medeiros, pergunta semelhante sobre se a atrapalhava. A jovem disse ainda que, antes do fim do relacionamento da mãe, desenvolveu um sentimento intenso de medo de Jairinho: sempre que via o carro dele chegando, corria e vomitava.

Sentimento de culpa e decisão de falar

Kaylane contou que só revelou as agressões à mãe e à avó cerca de um ano após o fim do relacionamento, depois de assistir a um programa de televisão com um caso semelhante.

Ao tomar conhecimento da repercussão do caso Henry, ela relatou ter sentido um “gatilho” que a fez relembrar os episódios e chegou a se sentir culpada, declarando que, se tivesse revelado antes, talvez o caso não tivesse chegado onde chegou. Esse sentimento a motivou a procurar Leniel Borel, pai de Henry, para colaborar com o processo.

Segunda testemunha: filho fraturado e dopagem

Outra ex-namorada de Jairinho também prestou depoimento nesta quinta-feira. Ela relatou que estava em um apartamento com a filha de 6 anos e um filho de 2 a 3 anos quando Jairinho a dopou, a estuprou e a deixou no quarto.

A testemunha contou que apenas em 2021, quando o caso Henry ganhou repercussão, a criança relatou que também havia sofrido violência por parte do réu. O menino descreveu ter sido levado para um carro, onde Jairinho colocou um saco na sua cabeça e ficou rodando pelo estacionamento.

Antes desse episódio, o menino fraturou o fêmur enquanto estava numa festa acompanhado apenas de Jairinho, que afirmou que a criança se machucara ao descer do carro. Ao fazer o raio-x, a mãe descobriu que a fratura era grave, e a criança precisou ficar meses engessada.

Os réus e as acusações

De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e a Polícia Civil, a morte de Henry foi causada por agressões cometidas por Jairinho, então vereador no quinto mandato. Monique Medeiros, mãe do menino, responde por homicídio, coação no curso do processo, tortura e fraude processual, entre outros crimes.

Ao todo, foram arroladas 27 testemunhas de acusação e de defesa. A decisão do júri caberá a sete jurados, e a expectativa inicial era de que o julgamento durasse cerca de cinco dias.

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