Da Redação
Esta quarta-feira (03/06), último dia de realização do XIV Fórum de Lisboa, em Portugal, está sendo marcada por programação voltada para debates sobre o mercado financeiro, em especial os rumos da economia brasileira e reflexões internacionais.
O jornalista Thomas Friedman, colunista de assuntos internacionais do The New York Times, foi um dos destaques do dia e falou em sua palestra sobre os desafios da humanidade pelo avanço da inteligência artificial (IA). Friedman traçou um futuro sombrio em que a humanidade será dominada pela máquina. Ou seja, segundo ele, “as pessoas serão totalmente submetidas à IA num futuro próximo”.
Fases da evolução humana
Vencedor de três prêmios Pulitzer, o jornalista se referiu a três fases da evolução humana: a do gelo, a líquida e a do vapor, que estamos vivendo agora. “O vapor entra em qualquer lugar, permeia todas as esferas da vida humana”, disse. Segundo ele, a saída seria a união das duas maiores potências econômicas do planeta, Estados Unidos e China, em torno de um protocolo de ação.
Friedman afirmou que a ideia pode parecer ingênua, mas sem uma aliança ambas as potências sofrerão as consequências. Ele também se referiu às redes sociais como responsáveis pela ameaça à democracia, aos moldes do que provocaram no Brasil, com uma polarização extrema.
Enfatizou que, ao seu ver, as redes sociais atacam dois pilares: verdade e confiança. “O Facebook não está no negócio de notícias. O Twitter (hoje X) não está no negócio de notícias. O modelo de negócio deles não é te informar, é te provocar”, frisou.
Declaração de apoio a Trump
Outro nome de destaque internacional presente no Fórum de Lisboa foi o ex-presidente da Colômbia Ivan Duque. Político de direita que governou o país entre 2018 e 2022, ele afirmou que já declarou publicamente seu apoio à ação do presidente Donald Trump de captura do presidente da Venezuela Nicolas Maduro.
O ex-presidente da Colômbia disse que é contra o que vinha ocorrendo no país vizinho e citou “torturas e desaparecimentos”. Também se mostrou um aliado do presidente da Argentina, Javier Milei, ao elogiar medidas econômicas, mesmo com impacto social negativo.
Também participam da mesa a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, que hoje é diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, e o diretor senior de Políticas Públicas do Nubank e CEO da Zetta, Eduardo Lopes.
Inovação como impulsor da economia
Além disso, está prevista, neste último dia, a participação do Prêmio Nobel de Economia em 2025, Joel Mokyr, que é professor da Northwestern University, localizada no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Mokyr tem um trabalho focado na compreensão sobre como a tecnologia, o conhecimento e a inovação impulsionam o crescimento sustentado das sociedades.
O Fórum, que está em sua 14ª edição, tem como tema este ano “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios democráticos, econômicos e sociais”. O evento, que tem como um dos coordenadores o ministro do STF, Gilmar Mendes, reúne todos os anos autoridades e acadêmicos de diversas áreas.
470 palestrantes em 70 painéis
Desta vez, estão sendo tratadas questões ligadas à inteligência artificial, regulação de plataformas digitais, proteção de crianças no ambiente online, segurança pública e impactos da tecnologia sobre a democracia. Ao todo, a programação engloba 470 palestrantes que se apresentarão em cerca de 70 painéis de debate.
O Fórum de Lisboa é organizado pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), pelo Lisbon Public Law Research Centre (LPL) da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) e pelo FGV Justiça (Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário da FGV). Além de advogados e magistrados de todo o país, têm presença confirmada no evento 21 ministros de tribunais superiores brasileiros e do Tribunal de Contas da União (TCU).
— Com Agências de Notícias e informações do IDP