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Trump indica embaixador para o Brasil após 16 meses sem representante diplomático

Há 5 meses
Atualizado terça-feira, 2 de junho de 2026

Da Redação

Daniel Perez, deputado da Flórida e filho de imigrantes cubanos, foi escolhido para ocupar o cargo em meio a tensões entre Washington e Brasília

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (1º) a indicação de Daniel Perez para assumir a embaixada americana em Brasília. A escolha chega depois de mais de um ano sem um embaixador titular no posto — um intervalo que coincidiu com um período de atritos diplomáticos entre os dois países.

A nomeação ainda depende de aprovação pelo Senado americano para ter efeito.

Quem é Daniel Perez

Perez tem 38 anos, é filho de imigrantes cubanos e representa a primeira geração de sua família nascida nos Estados Unidos. Formado em Direito pela Universidade Loyola de Nova Orleans, ele foi eleito pela primeira vez para a Assembleia Legislativa da Flórida em 2017 e segue no cargo desde então.

O perfil do indicado reflete uma escolha política de Trump: um republicano de origem latina, com raízes em uma comunidade historicamente alinhada ao partido, em um momento em que as relações com o Brasil exigem habilidade de negociação.

O vácuo diplomático e o momento delicado

Desde janeiro de 2025, quando a embaixadora Elizabeth Bagley — indicada pelo então presidente Joe Biden — encerrou seu mandato, o posto em Brasília ficou nas mãos de encarregados de negócios. São 16 meses sem um representante de alto nível para tratar diretamente das tensões crescentes entre os dois governos.

E tensões não faltam. Na semana passada, o secretário de Estado Marco Rubio classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A decisão irritou o governo Lula, que respondeu rejeitando a medida e afirmando que não aceitará interferências externas que ameacem a soberania do país.

O Pix no centro das disputas comerciais

Outro ponto de atrito é o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil. Em julho de 2025, os Estados Unidos abriram uma investigação formal sobre o sistema, alegando que ele representa uma prática desleal de comércio por prejudicar empresas americanas do setor financeiro.

A lógica americana é que o Pix, ao substituir funções dos cartões de débito — que cobram taxas mais altas —, estaria tirando mercado de companhias dos EUA. Com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio, o governo Trump pode impor tarifas e outras penalidades ao Brasil caso a investigação conclua que há concorrência desleal.

Lula e Trump tentam baixar a temperatura

Apesar das disputas, os dois presidentes têm buscado um caminho de diálogo. Em outubro de 2025, Lula e Trump se encontraram durante a Cúpula da Asean e trocaram uma ligação considerada cordial meses depois. O momento mais simbólico, no entanto, foi em maio deste ano: Lula passou mais de três horas na Casa Branca, e Trump o chamou de “dinâmico”.

No encontro, os dois concordaram em criar um grupo de trabalho para tentar resolver o impasse tarifário em até 30 dias. Lula pediu pessoalmente o encerramento da investigação sobre o Pix.

A nomeação como sinal diplomático

É nesse cenário que a indicação de Perez ganha peso simbólico. Ter um embaixador titular em Brasília significa que Washington está disposta a manter um canal formal e de alto nível com o Brasil — algo que os encarregados de negócios não conseguem oferecer com a mesma força política.

Se confirmado pelo Senado, Perez assumirá um posto exigente: equilibrar os interesses comerciais americanos, lidar com o tema das facções criminosas e manter o diálogo aberto com um governo brasileiro que tem reagido com firmeza às pressões externas.

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