Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com indignação, nesta terça-feira (2/6), ao relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que recomenda taxar em 25% as importações brasileiras como punição a supostas “práticas comerciais desleais”. Em discurso, Lula relembrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou uma mensagem de agradecimento a Trump quando os EUA taxaram o Brasil em 50%, em julho de 2025, e classificou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro como “vendilhões da pátria” e “traidores” por, segundo ele, pedirem intervenção estrangeira no país.
“No dia que ele taxou, eu vou dizer o que fizeram os meninos do Bolsonaro. Os meninos do Bolsonaro, um deles, o que é candidato a presidente, disse, no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump taxou o Brasil em 50%, olha o que ele tuitou: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo. Queremos a Magnitsky’”, afirmou.
“Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, meditem”, disse o presidente. O episódio ganhou contornos ainda mais polêmicos pelo contexto recente: na semana passada, Flávio se reuniu com Trump na Casa Branca e, dois dias depois, o governo norte-americano anunciou que classificará as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. Aliados de Lula voltaram a usar o mote “o Pix é do Brasil” nas redes sociais e acusaram Flávio de estimular ações do governo americano contra o Brasil.
O relatório da USTR e os ataques ao Pix
O documento que motivou as declarações de Lula foi publicado na noite de segunda-feira (1º/6) e é resultado de uma investigação iniciada em 15 de julho de 2025. Entre os principais alvos está o Pix, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC), acusado de prejudicar empresas norte-americanas como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay. A conselheira jurídica geral do USTR, Jennifer Thornton, afirma no relatório que o BC favorece sua “campeã nacional, o Pix”, impondo obrigações aos concorrentes privados e criando um conflito de interesses ao acumular os papéis de regulador e operador do sistema.
O documento critica o fato de o BC exigir que instituições financeiras com mais de 500 mil contas ofereçam o Pix gratuitamente a pessoas físicas e o exibam com destaque equivalente a qualquer outro meio de pagamento em aplicativos e sites. Para o USTR, o sistema representa um ônus ao comércio americano ao forçar empresas estrangeiras a promover um concorrente brasileiro sem qualquer compensação. “É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de tarifas”, afirma o relatório.
A partir de 15 de julho, os EUA poderão adotar as chamadas “medidas corretivas” contra o Brasil. O desfecho da disputa comercial — que envolve soberania tecnológica, relações diplomáticas e o futuro do sistema financeiro brasileiro — deve dominar a agenda política e econômica do país nas próximas semanas.
*Com informações de agências de notícias.