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Julgamento do caso Henry Borel bate recorde e entra no 8º dia consecutivo noTJRJ

Há 4 meses
Atualizado segunda-feira, 1 de junho de 2026

Da Redação

O julgamento de Dr. Jairinho e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, tornou-se nesta segunda-feira (1º) o júri mais longo da história do Tribunal do Júri do estado do Rio de Janeiro, superando o caso da ex-deputada federal Flordelis, condenada em 2022 a mais de 50 anos de prisão pelo assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo.

Perito do IML no centro dos depoimentos

Até o início da tarde desta segunda, prestava depoimento o perito Leonardo Huber Tauil, indicado pela defesa de Jairinho. Foi ele quem assinou o laudo cadavérico de Henry, no Instituto Médico Legal (IML), sendo o 21º a ser ouvido pelos jurados.

Tauil reafirmou que a causa da morte foi “hemorragia interna resultada de lesão hepática por ação contundente”. Além do laudo inicial, ele participou de seis complementações e chegou a visitar o apartamento onde o menino teria sido agredido.

O perito sustentou que, ao vistoriar o local, não encontrou nenhum móvel capaz de causar a lesão fatal em Henry. A primeira versão apresentada pelo casal era de que a criança havia tropeçado e caído da cama.

Tauil também respondeu a questionamentos da defesa sobre inconsistências no laudo, como o hospital de origem registrado de forma errada e a cor dos olhos do menino anotada como azul, quando eram castanhos. O perito classificou as ocorrências como lapsos.

Monique deixa o plenário ao ver imagens

Durante o depoimento, foram exibidas imagens do corpo de Henry. Nesse momento, Monique Medeiros deixou o plenário — o mesmo comportamento que já havia adotado na última sexta-feira (29), quando outro perito apresentava registros semelhantes.

Testemunhos marcantes ao longo da semana

Desde a segunda-feira anterior (25), foram ouvidas testemunhas convocadas pelo juízo, pela acusação e pelas defesas de Monique e Jairinho, que atualmente adotam estratégias distintas.

O pai de Henry, Leniel Borel, atuou na assistência da acusação e depôs contra o ex-casal. Na visão dele, Monique também é responsável pela morte do filho.

Duas ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas relataram ao júri que o ex-vereador agrediu os respectivos filhos quando eram crianças. Já o irmão de Monique, o engenheiro Bryan Medeiros, fez uma descrição afetuosa da irmã e do convívio familiar.

A babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, confirmou que havia alertado a mãe da criança sobre suspeitas de agressões por parte de Jairinho. Ela afirmou ainda que, após a morte do menino, foi orientada por Monique a apagar as trocas de mensagens entre as duas.

Réus devem depor na terça-feira

A expectativa de advogados envolvidos no caso é de que os depoimentos das testemunhas se encerrem ainda nesta segunda, e que a terça-feira (2) seja reservada para as oitivas dos dois acusados.

A defesa de Jairinho obteve uma decisão liminar para que ele seja ouvido depois de Monique, argumentando que essa ordem é “indispensável para garantir a plenitude de defesa, permitindo que Jairo tenha conhecimento prévio das acusações que lhe serão dirigidas em juízo”. A defesa de Monique afirmou que ela está preparada para depor a qualquer momento.

Os advogados devem apresentar suas alegações finais na quarta-feira (3), e a sentença é esperada para a virada de quarta para quinta-feira (4), dia de Corpus Christi, feriado no Rio de Janeiro.

Jurados confinados desde o início

O Conselho de Sentença, formado por sete jurados — cinco homens e duas mulheres neste julgamento —, acompanha ininterruptamente as sessões desde o início do júri. Nos intervalos, são obrigados a permanecer no tribunal, sem contato com terceiros, redes sociais ou noticiário sobre o caso.

Durante os pernoites, ficam sob vigilância em um alojamento instalado no próprio Tribunal de Justiça do Rio. O júri é presidido pela magistrada Elizabeth Machado Louro, e o destino dos réus será decidido por voto sigiloso, por maioria simples.

Informações com Agência Brasil.

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