Da Redação
A federação que representa os bancos no Brasil entrou em campo para defender o Pix. Para a entidade, o governo americano avaliou o sistema de pagamentos instantâneos com base em dados equivocados.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou nota nesta terça-feira, 2, contestando as conclusões do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR). Para a entidade, o órgão americano interpretou mal o funcionamento do Pix ao classificá-lo como uma ferramenta que prejudica empresas estrangeiras do setor de pagamentos. A conclusão do USTR pode resultar em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.
Na avaliação da federação, o sistema não é um produto comercial criado para favorecer empresas brasileiras, mas uma infraestrutura pública desenvolvida pelo Banco Central para ampliar a concorrência e facilitar transações financeiras no país.
O que os bancos dizem sobre o funcionamento do Pix
Segundo a Febraban, o Pix opera de forma aberta e sem discriminação. Qualquer instituição financeira — nacional ou estrangeira — pode participar do sistema, desde que atue no Brasil e siga as normas do Banco Central. Não há restrições por tamanho ou por origem da empresa.
A entidade ressaltou ainda que o serviço é gratuito para pessoas físicas e pode ser cobrado de empresas, sem qualquer diferença de tratamento entre companhias brasileiras e estrangeiras. Para os bancos, isso demonstra que o sistema não cria vantagens injustas para nenhum lado.
A expectativa com a consulta pública
A Febraban afirmou que confia nas explicações já apresentadas ao USTR durante o processo de consulta pública. O Banco Central e instituições financeiras brasileiras — incluindo bancos americanos que operam no Brasil — enviaram contribuições detalhando como o sistema realmente funciona.
“Temos boa expectativa de que as contribuições do Banco Central do Brasil e dos integrantes do sistema bancário brasileiro, incluindo os bancos americanos, vão ajudar no esclarecimento das conclusões do órgão americano de comércio”, disse a Febraban.
O que originou a disputa
A investigação americana foi aberta em julho de 2025, por determinação do presidente Donald Trump, com base em uma lei de comércio de 1974. O objetivo era identificar práticas brasileiras que pudessem representar barreiras aos negócios americanos.
Ao concluir a análise, o USTR apontou o Pix como um dos pontos problemáticos, alegando que o sistema teria recebido condições favoráveis que beneficiariam sua expansão em detrimento de empresas privadas do setor, incluindo as americanas.
O que está em jogo para o Brasil
Se a tarifa de 25% for confirmada, ela poderá atingir uma ampla gama de produtos brasileiros exportados aos EUA. Alguns itens devem ficar fora da tributação, como carne, café, frutas, aeronaves, medicamentos e fertilizantes.
A decisão final ainda não foi tomada. O processo segue em etapas formais, e o prazo para o anúncio oficial é 15 de julho de 2026.