Da Redação
Transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, a pedido da Polícia Federal; banqueiro perde regalias e passa a seguir regras internas da corporação
Daniel Vorcaro, ex-presidente do banco Master, foi transferido para uma cela comum na superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da própria PF e ocorre no momento em que as negociações para um acordo de delação premiada chegaram ao fim de sua fase de elaboração.
Com a transferência, Vorcaro deixa de ter acesso a condições especiais e passa a cumprir as mesmas regras internas impostas a outros detentos da PF — incluindo normas para receber visitas de advogados.
Como Vorcaro estava preso até agora
Antes da mudança, o banqueiro ocupava uma sala no estilo “sala de Estado-maior” — o mesmo tipo de espaço utilizado para manter preso o ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano. Essa condição diferenciada havia sido concedida em março, quando Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF, no centro da capital.
A transferência para a sede da PF aconteceu em 19 de março, um dia depois de o advogado do banqueiro, José Luís Oliveira Lima, ter procurado a corporação para comunicar o interesse de seu cliente em firmar um acordo de colaboração premiada.
A relação da transferência com a delação
Segundo apuração, a volta para a cela comum não tem relação com o conteúdo do que foi negociado na delação. A medida se justifica, simplesmente, pelo encerramento da fase de elaboração do acordo — etapa em que condições especiais de custódia costumam ser adotadas para facilitar o trabalho das partes envolvidas.
O advogado de Vorcaro chegou a se reunir pessoalmente com o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, durante o período de negociações. Agora, com essa fase concluída, a manutenção dos privilégios não tinha mais justificativa formal.
Histórico: duas prisões e troca de advogados
Vorcaro foi preso pela segunda vez em 4 de março de 2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela PF. Dois dias depois, ele foi transferido do Complexo Penitenciário de Potim, no interior de São Paulo, para a Penitenciária Federal em Brasília.
Após o STF formar maioria pela manutenção da prisão, a defesa do banqueiro passou por uma reformulação estratégica. Vorcaro passou a ser representado por José Luís Oliveira Lima — o “Juca” —, advogado com larga experiência em acordos de delação premiada, como o firmado com o empreiteiro Léo Pinheiro, da construtora OAS, no âmbito da Operação Lava Jato. Com a mudança, o advogado Pierpaolo Bottini deixou a equipe de defesa.
O que está em jogo
O ex-banqueiro é investigado por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias. Uma eventual colaboração com as autoridades pode trazer novos elementos às investigações e afetar outros alvos do caso Master. O andamento do acordo, e o que Vorcaro teria a oferecer, segue sendo acompanhado de perto.