Da Redação
Tem repercutido em todo o mundo jurídico do país o falecimento, nesta terça-feira (19/5), do advogado, professor e filósofo do Direito João Maurício Leitão Adeodato, em Recife (PE), considerado uma maiores referências do pensamento jurídico brasileiro e um dos principais teóricos sobre retórica jurídica.
Nascido em Minas Gerais, ele se mudou ainda criança para Pernambuco e construiu uma longa carreira acadêmica, iniciada na Faculdade de Direito do Recife, vinculada à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) — instituição em que atuou por décadas como professor titular de Introdução ao Estudo do Direito, até aposentar-se. Fez doutorado e livre-docência pela Universidade de São Paulo (USP) e cursou pós-doutorado com financiamento da Fundação Alexander von Humboldt na Universidade de Mainz, na Alemanha.
Obra transversal e internacional
Ao longo de sua trajetória, João Maurício também estudou nas universidades alemãs de Freiburg, Heidelberg, Hagen, Frankfurt e Kiel. Mais recentemente, mantinha forte atuação no ensino como professor permanente na Faculdade de Direito de Vitória (FDV) e na Universidade Nove de Julho (Uninove), além de colaborar no departamento de Teoria Jurídica da Universidade de Frankfurt.
Adeodato foi pioneiro no Brasil na difusão da teoria retórica realista, linha de pensamento que aborda o Direito não como uma ciência de respostas absolutas, mas como uma construção baseada na linguagem e na persuasão para a resolução de conflitos e a busca de consensos em democracias.
Ele foi o primeiro brasileiro a integrar o comitê executivo da Associação Internacional de Filosofia Jurídica e Social (IVR) e era pesquisador de nível máximo (1-A) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Legado “intelectual, acadêmico e humano”, diz Fachin
É autor de obras como “Ética e Retórica” e “Filosofia do Direito”, entre várias outras. O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em nota que “seu legado intelectual, acadêmico e humano permanecerá como inspiração e referência para toda a comunidade jurídica e para as futuras gerações de pesquisadores e estudiosos do Direito”.
“Sua contribuição ultrapassou as fronteiras de Pernambuco, alcançando reconhecimento nacional e internacional por sua atuação como professor, escritor e pesquisador, sempre pautada pela defesa do conhecimento, da ética e da democracia”, destacou nota da seccional Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE).
O falecimento também foi lamentando pelo Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, que foi seu aluno. Além de vários advogados, magistrados, procuradores, professores e juristas que emitiram em redes sociais ou via notas oficiais, pesar pelo professor e jurista. João Maurício tinha 70 anos e estava internado no Hospital Esperança, no Recife, desde a última semana.
— Com Agências de Notícias