Mantida condenação de falsos curandeiros que aplicaram golpe de R$ 250 mil em vítima vulnerável

Há 3 semanas
Atualizado sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Da Redação

Está mantida a condenação de  cinco pessoas por estelionato após enganarem uma mulher em estado de fragilidade emocional com promessas de cura espiritual. Os acusados realizavam rituais falsos e trocavam joias e dinheiro da vítima por objetos sem valor, causando prejuízo estimado em R$ 250 mil.

A 4ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação ao confirmar a sentença da 14ª Vara Criminal da Capital, proferida pelo juiz Fernando Augusto Andrade Conceição.

As penas variam conforme o grau de envolvimento de cada réu. Uma das acusadas recebeu pena de um ano e nove meses de reclusão em regime semiaberto, além de multa. Os demais condenados terão que cumprir um ano, quatro meses e 24 dias de reclusão em regime aberto, com a pena substituída por prestação de serviços à comunidade.

Como funcionava o golpe dos falsos rituais

O esquema criminoso começou quando uma das rés percebeu o estado de fragilidade emocional da vítima e se aproximou dela. Após conquistar sua confiança, a acusada ofereceu práticas de “purificação espiritual” como solução para os problemas emocionais da mulher.

A vítima passou a frequentar a casa da ré, onde eram realizados rituais com a participação dos outros quatro acusados. Durante as cerimônias, os golpistas pediam que a mulher entregasse joias, objetos de valor e dinheiro, que seriam supostamente queimados como parte do ritual de purificação.

Na verdade, os objetos e o dinheiro eram embrulhados e trocados sem o conhecimento da vítima. Os golpistas substituíam os valores reais por itens sem qualquer importância, enquanto ficavam com os bens entregues pela mulher.

Vítima percebeu o golpe após meses de exploração

Depois de algum tempo participando dos rituais, a ofendida percebeu que sua apatia e depressão não melhoraram. Foi então que ela descobriu ter sido vítima de um golpe elaborado. O prejuízo total foi estimado em R$ 250 mil, incluindo dinheiro e objetos de valor.

A fraude se aproveitou diretamente do estado de vulnerabilidade emocional da vítima, que buscava ajuda para superar seus problemas pessoais. Os acusados exploraram essa fragilidade para obter vantagem financeira ilícita.

Justiça rejeitou desclassificação do crime

A defesa dos réus tentou desclassificar o crime de estelionato para curandeirismo, que tem pena menor. No entanto, o relator do recurso, desembargador Euvaldo Chaib, rejeitou o pedido.

Segundo o magistrado, no estelionato o dolo (intenção criminosa) é anterior à obtenção da vantagem ilícita. “Os réus lançaram mão de uma artimanha, manobra ardilosa consistente em preparar um ritual que intitularam de trabalho espiritual para obtenção da vantagem patrimonial”, afirmou o desembargador.

Euvaldo Chaib destacou ainda que o valor obtido pelos golpistas foi “absolutamente considerável, incompatível com um mero ritual de purificação”. Para ele, a intenção desde o início era obter vantagem patrimonial ilícita, usando meio fraudulento e explorando a credulidade da ofendida.

Penas consideraram vulnerabilidade da vítima

Na definição das penas, o desembargador destacou a reprovabilidade da conduta dos réus. Foram considerados fatores agravantes o fato de os acusados terem se valido do estado de vulnerabilidade da vítima e o elevado prejuízo financeiro causado a ela.

A decisão foi unânime entre os magistrados da turma de julgamento, composta também pelos desembargadores Camilo Léllis e Fátima Vilas Boas Cruz. A condenação serve como alerta sobre golpes que exploram pessoas em situação de fragilidade emocional.

Autor

Leia mais

Vazamento de reunião sobre caso Master gera crise de confiança no STF

Há 3 dias

Dino dá prazo final de 30 dias para conclusão de relatório sobre terra indígena em Roraima

Há 3 dias
Edifício-sede do STF com estátua da Justiça na frente

STF não terá expediente em segunda e terça de Carnaval; prazos são prorrogados

Há 3 dias

PF se reúne com Mendonça e apresenta informações sobre inquérito do Banco Master

Há 3 dias
Ministro Villa Boas Cuêva durante a sessão

Infojud pode ser utilizado por juízes para checar renda de jurisdicionado e quem tem direito à Justiça gratuita, diz STJ

Há 3 dias
Sede do TRF 3, onde o colegiado escolheu novo desembargador por antiguidade

Colegiado do TRF 3 escolhe novo desembargador, por critério de antiguidade, e define lista tríplice para outra vaga existente na Corte

Há 3 dias
Maximum file size: 500 MB