Da Redação
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou em Brasília, nesta sexta-feira (19/06), a Operação ‘Juros Zero’, que tem como alvo investigar a atuação do Banco de Brasília (BRB), da BRB Serviços, do Fundo de previdência dos servidores do DF (Iprev), da Secretaria de Economia do DF e da empresa Pic & Pay em um esquema criminoso na folha de servidores do Distrito Federal.
A operação nada tem a ver com a outra, intitulada ‘Juro Zero’, que realiza investigações sobre outro tema no Rio de Janeiro. Conforme o que foi levantado até agora nas apurações, outras associações também podem estar envolvidas no esquema.
Os dados apurados apontam que mais de R$ 80 milhões em empréstimos com cobrança de juros teriam sido disfarçados de “taxas”. No total, estão sendo cumpridos 50 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) contra pessoas físicas, empresas e órgãos públicos.
Principais envolvidos
Informações divulgadas pelo MPDF ressaltaram que dois nomes aparecem no centro do chamado “arranjo criminoso”: o advogado Ney Ferraz, que ocupou sucessivos cargos no governo distrital, e Paulo Henrique Costa, que foi presidente do BRB entre 2019 e 2025 — Costa está, desde abril, preso preventivamente por envolvimento no escândalo do Banco Master.
A operação está sendo realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao MP, em conjunto com a Vice-Procuradoria-Geral de Justiça e a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor do MPDFT. Conforme dados obtidos até agora, a apuração chegou ao TJDFT porque um de seus principais investigados, o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz Júnior — que antes presidiu o Instituto de Previdência do DF (IPREV/DF) —, detém foro por prerrogativa de função.
Segundo informações do MPDF, o esquema praticado transformou o contracheque do funcionalismo distrital em fonte de vantagens ilícitas — com juros disfarçados de “taxa”, associações de fachada e fiscalização “de conveniência”. De acordo com integrantes do MP, a investigação analisou mais de duas dezenas de processos administrativos vinculados ao BRB, BRB Serviços S.A, Secretaria de Economia, IPREV/DF e expedientes que tramitam no Tribunal de Contas do DF, além de representações. Mas existem muito mais processos a serem estudados, relacionados ao caso.
Bloqueios da Pic & Pay e de associação
Inicialmente, a pedido do Ministério Público, o TJDFT determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões nas contas da empresa Pic & Pay e da Associação dos Servidores do Distrito Federal. A investigação apura, em tese, os crimes de usura e contra a economia popular, publicidade enganosa nas relações de consumo, inserção e modificação de dados em sistemas da Administração Pública, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e indícios de lavagem de dinheiro.
As buscas pretendem preservar a cadeia de custódia digital dos registros da folha, apreender instrumentos e proveitos do crime e, dentre outros, fazer cessar o esquema criminoso. A operação, que está nas ruas, conta com o apoio de integrantes dos GAecos de SP, PR e MG, da Polícia Civil do DF e da Polícia Civil de SP.
— Com informações de Agências de Notícias