STM mantém condenação de cabo do Exército por apresentação de documentos falsos – – –
Três vezes Scorsese – – –
Nova resolução do CNJ permite ao órgão monitorar ordens de bloqueio de créditos – – –
Regime prisional não retroage para desconstituir tempo de pena em regime aberto, decide TJSP – – –
Defesa diz que 657 arquivos do celular de Vorcaro foram modificados após apreensão pela PF – – –
Juiz que beneficiou réu do 8 de Janeiro escapa de inquérito no STF, mas segue sob análise do CNJ – – –
Certidões de óbito de pessoas mortas por policiais terão de detalhar contexto, além da causa médica – – –
TSE pede para Congresso incluir na Lei da Ficha Limpa inelegibilidade de quem comete violência doméstica – – –
STJ nega novo recurso apresentado pela defesa do ex-jogador Robinho, que cumpre pena em Limeira (SP) – – –
Ministro Alexandre de Moraes, do STF, determina arquivamento de inquérito contra youtuber Monark – – –
Mlinistro Alexandre de Moraes, do STF

STF discute nulidade de provas em caso Mariana Ferrer e Alexandre de Moraes vota por anular audiência

Há 4 meses
Atualizado sexta-feira, 19 de junho de 2026

Da redação

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quinta-feira (18) o julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1541125, um caso de acusação de estupro. O processo discute até que ponto a forma de produção de provas em juízo pode violar a dignidade, a honra e a intimidade da vítima, e tem repercussão geral reconhecida, o que significa que a tese a ser fixada orientará decisões semelhantes em todo o país.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, classificou a audiência em que Mariana foi ouvida como “humilhante”, “vergonhosa” e “criminosa”, e votou pela anulação das sentenças, da audiência e de todos os atos processuais subsequentes. Durante a sessão, o ministro exibiu o vídeo da audiência e criticou duramente a postura dos operadores do Direito envolvidos, apontando conduta omissiva do advogado, do juiz e do membro do Ministério Público.

Vitimização secundária e cultura de culpabilização da vítima

Para Moraes, as gravações de audiências tornadas públicas ao longo dos anos comprovam a existência de uma cultura de vitimização secundária de vítimas de crimes sexuais. O ministro criticou a transformação da vítima em suposta indutora do agressor, prática que atribui ao comportamento ou à vestimenta da mulher a responsabilidade pelo crime sofrido.

O relator afirmou que, em crimes de violência sexual, a palavra da vítima deve ter peso maior no processo. Para ele, o depoimento de Mariana Ferrer foi viciado pelas ofensas sofridas durante a audiência, tornando inválida a prova colhida naquele ato. “Houve um tratamento cruel, desumano, com total anuência do promotor”, declarou, acrescentando que houve violação concreta à dignidade, à privacidade e à integridade psicológica da vítima.

Tese proposta pelo relator e adesão de ministros

Com base nesses fundamentos, Moraes declarou a prova colhida na audiência como ilícita e propôs a seguinte tese de repercussão geral: são inadmissíveis e consequentemente nulas as provas resultantes de desrespeito, comissivo ou omissivo, aos direitos fundamentais da vítima — notadamente sua dignidade e honra — pelos magistrados e demais atores processuais durante a realização de atos instrutórios nos processos por crimes sexuais, bem como todas as demais provas e atos processuais que delas derivarem.

O relator ainda determinou o retorno do caso ao tribunal de origem com a substituição legal do juiz e do membro do Ministério Público que participaram da audiência questionada. O ministro Dias Toffoli acompanhou o voto e sugeriu a suspensão da prescrição no caso, proposta que foi acatada por Moraes. O ministro Nunes Marques também seguiu o entendimento do relator. O julgamento foi suspenso e será retomado após o intervalo regimental.

O caso: empresário absolvido após audiência marcada por ofensas

O réu, o empresário André de Camargo Aranha, foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina por ter supostamente drogado e estuprado Mariana Ferrer em 2018, em uma boate em Jurerê Internacional (SC). Ele foi absolvido por falta de provas. No recurso ao STF, Mariana narra que, durante a audiência em que prestou depoimento, foi alvo de sarcasmo, ironia, ofensas, humilhações e insinuações sexuais do advogado de defesa do acusado, sem qualquer intervenção do juiz, do promotor ou do defensor público.

O advogado de Mariana, Júlio Cezar Ferreira da Fonseca, sustentou que a vítima também foi alvo de insinuações de que estaria usando o caso para ganhar fama nas redes sociais. Em determinado momento da audiência, o advogado do acusado chegou a afirmar que não gostaria de ter uma filha “daquele nível”. Para o defensor de Mariana, tais manifestações extrapolam qualquer contexto jurídico de defesa e de contraditório ético. “Estamos diante de um ataque gratuito e perverso contra uma vítima de crime sexual que chegou ao ponto de implorar por respeito”, afirmou.

Defesa alega irretroatividade da lei e ausência de impacto na absolvição

A advogada do empresário, Dora Cavalcanti, argumentou que a Lei 14.245/2021, criada para proteger vítimas e testemunhas contra constrangimentos durante audiências, é posterior aos fatos discutidos no processo e foi motivada justamente pela repercussão do caso concreto. Por essa razão, sustentou que a norma não pode retroagir para produzir efeitos sobre o julgamento em questão.

A defesa invocou ainda o artigo 566 do Código de Processo Penal, que impede a declaração de nulidade de ato que não tenha impacto na fundamentação da decisão absolutória. Segundo a advogada, o empresário foi absolvido com base em prova pericial técnica que afastou a alcoolemia e a intoxicação da vítima, em imagens de câmeras de segurança e nos relatos de testemunhas de acusação e defesa — elementos independentes do depoimento contestado. O julgamento será retomado com os votos dos demais ministros.

Autor

Leia mais

Cabos do Exército durante desfile

STM mantém condenação de cabo do Exército por apresentação de documentos falsos

Há 22 horas

Três vezes Scorsese

Há 22 horas
Edifício-sede do CNJ em Brasília

Nova resolução do CNJ permite ao órgão monitorar ordens de bloqueio de créditos

Há 23 horas
Sede do TJSP

Regime prisional não retroage para desconstituir tempo de pena em regime aberto, decide TJSP

Há 23 horas

Defesa diz que 657 arquivos do celular de Vorcaro foram modificados após apreensão pela PF

Há 23 horas
Homem depredando relógio histórico no Palácio do Planalto em 8/1/23

Juiz que beneficiou réu do 8 de Janeiro escapa de inquérito no STF, mas segue sob análise do CNJ

Há 24 horas