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Compliance Zero aponta mais uma vez para Augusto Lima e o crédito consignado

Há 4 meses
Atualizado quinta-feira, 18 de junho de 2026

Compliance Zero aponta mais uma vez para Augusto Lima e o crédito consignado

Da Redação

A mais recente fase da Operação Zero trouxe à tona elementos que ampliam o escopo das investigações sobre o Banco Master e seus grupos associados. Entre as novidades, a manutenção de mandado de busca contra o senador e líder do governo Jaques Wagner chama atenção pelo peso político do alvo — mas é a figura de Augusto Lima que emerge como um dos nós centrais dessa teia.

O império do  consignado

Augusto Lima não é um nome novo para investigadores do mercado financeiro. Com origem nos meios sindicais da Bahia, ele passou duas décadas construindo o que especialistas do setor definem como um “império do crédito consignado”, expandido para 24 estados brasileiros.

O ponto de partida foi o uso de associações de funcionários para operar crédito consignado — inicialmente com uma aparência de legalidade, mas, segundo apurações da Receita Federal, com um esquema que desviava os recursos gerados nessas operações para benefício pessoal, por meio de empresas ligadas ao grupo, mascaradas sob a forma de entidades sem fins lucrativos.

O salto de escala veio com o acesso ao crédito consignado do governo da Bahia — por meio de programas como o Crédito Certo e o Credpovo —, descrito por fontes do setor como um acesso “muito privilegiado”. No crédito consignado, o trabalhador pode comprometer até 30% do salário com parcelas, o que garante baixo risco de inadimplência e, portanto, margens atrativas para quem opera o produto. O controle desse canal em programas públicos estaduais, segundo as investigações, exige — e pressupõe — conexões políticas.

A conexão com Daniel Vocaro e o Grupo Reag

Se o consignado foi a origem, foi a associação com o universo do Banco Master que elevou Augusto Lima a outro patamar. As investigações já haviam mapeado que a movimentação financeira do grupo de Daniel Vocaro passava pela administradora Reag — liquidada pelo Banco Central. O elo entre Vocaro e João Carlos Mansur, dono da Reag, é justamente Augusto Lima.

Em outras palavras: Lima não apenas expandiu seu negócio de consignado para além da Bahia, tornando-se sócio do grupo Vocaro. Ele funcionou como a ponte entre diferentes camadas do esquema — do crédito ao consumidor até as estruturas sofisticadas de fundos sobre fundos que movimentaram recursos de forma irregular.

Três grupos, uma estrutura

O Banco Master emerge das investigações como uma espécie de guarda-chuva que abrigou pelo menos três grupos distintos com operações problemáticas:

  1. O grupo de Daniel Vocaro, com raízes em Minas Gerais e histórico ligado a desvios em fundos de previdência;
  2. O grupo de Nelson Tanure, apontado como grande operador do mercado financeiro, com participações empresariais descritas como “heterodoxas” — ingressando em empresas em dificuldades e captando recursos de forma controversa;
  3. O grupo de Augusto Lima, estruturado a partir do crédito consignado e com ramificações políticas em múltiplos estados.

O Que Ainda Está por Vir

Apesar dos avanços, fontes ouvidas pela reportagem apontam que outros operadores ainda “voam abaixo do radar” — sem que uma operação de proporção compatível com seus tentáculos tenha sido deflagrada até agora.

A complexidade da estrutura investigada, que combina política estadual, mercado financeiro, fundos de previdência e crédito ao trabalhador, sugere que o escândalo do Banco Master está longe de ter seus contornos totalmente definidos.


As investigações estão em curso. Os citados ainda não tiveram suas defesas apresentadas até o momento.

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