Por Carolina Villela
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, abriu a sessão plenária desta quinta-feira (18) com uma homenagem ao decano da Corte, ministro Gilmar Mendes, que completa 24 anos de atuação no Tribunal. Fachin destacou o significado da data para a história recente da jurisdição constitucional brasileira, ressaltando que o homenageado não apenas se integrou ao STF, mas tornou-se uma de suas referências institucionais mais permanentes e reconhecidas.
Segundo Fachin, ao longo de mais de duas décadas, Gilmar Mendes foi protagonista de diversas transformações do Tribunal, e não apenas um observador privilegiado das mudanças institucionais. Para o presidente do STF, uma das características mais marcantes da trajetória do decano é a permanente disposição para o debate de ideias e a abertura ao diálogo jurídico.
Defensor do diálogo e da abertura institucional
Fachin destacou que Gilmar Mendes sempre compreendeu o direito constitucional como um espaço de diálogo entre diferentes tradições jurídicas e correntes de pensamento. Essa postura se refletiu, segundo ele, em iniciativas concretas ao longo da trajetória do decano, como a valorização das audiências públicas e a abertura do Tribunal para especialistas e representantes da sociedade civil.
O presidente do STF também ressaltou a extensa atuação acadêmica de Gilmar Mendes, lembrando que muitos profissionais que hoje atuam no sistema de Justiça brasileiro foram formados ou influenciados pelo ministro ao longo de décadas de dedicação ao ensino e à produção jurídica. Para Fachin, essa contribuição ajudou a moldar gerações inteiras de operadores do Direito no país.
Memória viva de uma etapa decisiva do STF
Na avaliação de Fachin, a biografia individual de Gilmar Mendes e a história institucional do Supremo se confundem. Na condição de decano, o ministro representa não apenas a experiência acumulada ao longo dos anos, mas a memória viva de uma etapa decisiva do Tribunal. Fachin ressaltou ainda que a presença do colega no plenário conecta gerações de ministros e preserva a continuidade institucional da Corte.
Ao concluir a homenagem, o presidente do STF reforçou que a celebração vai além de uma marca cronológica. Para Fachin, o que se celebra é uma trajetória de dedicação ao serviço público, de compromisso com as instituições republicanas e de participação ativa na construção de um Supremo Tribunal Federal contemporâneo e voltado para os desafios do seu tempo.
PGR e o homenageado se emocionam com a celebração
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também parabenizou Gilmar Mendes durante a sessão. Gonet afirmou que se enche de orgulho e alegria por estar ao lado de um amigo de quatro décadas, destacando que o ministro, mesmo após 24 anos na Corte, manteve uma inteligência singular, o respeito aos direitos fundamentais e a atuação firme na defesa dos mais vulneráveis.
Visivelmente emocionado, Gilmar Mendes agradeceu as homenagens com a voz embargada. O decano reconheceu que ao longo desses 24 anos muita coisa aconteceu e revelou que, ao ingressar no Tribunal, tinha a intenção inicial de permanecer apenas 12 anos no cargo. Ele classificou a atividade como desafiadora e jamais monótona, encerrando a fala com a gratidão de quem reconhece na instituição o espaço de uma vida dedicada ao Direito.