Boulos, Lula e Márcio Macedo

Lula nomeia Guilherme Boulos como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência

Há 2 meses
Atualizado terça-feira, 21 de outubro de 2025

Deputado do Psol assume função estratégica voltada ao diálogo com movimentos sociais; nomeação ocorre em meio a críticas à articulação do governo com a base popular

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira (20) a nomeação do deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) para o cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. A nomeação foi publicada na edição desta terça-feira (21) do Diário Oficial da União e marca a 13ª troca ministerial desde o início do atual mandato.

Boulos substitui Márcio Macêdo (PT-SE), que ocupava a pasta desde o início do governo e deixou o cargo para se preparar para as eleições de 2026. A mudança vinha sendo articulada desde o início do ano, com o objetivo de reforçar a interlocução do governo com os movimentos sociais — papel central da Secretaria-Geral.

Guilherme Boulos é uma das principais figuras da esquerda brasileira, conhecido por sua trajetória à frente do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Com formação em filosofia pela USP, ele também é psicanalista, escritor e já disputou a Presidência da República em 2018 e a prefeitura de São Paulo em 2020 e 2024.

Em publicação nas redes sociais, Boulos agradeceu o convite feito por Lula e afirmou que sua gestão será dedicada a escutar as demandas populares em todo o país. “Vou levar ao Planalto as aprendizagens de luta no movimento social”, declarou.

A chegada do parlamentar ao ministério também atende a uma demanda de maior protagonismo do Psol na articulação do governo com setores populares, num momento em que o Planalto busca reverter críticas quanto à fraca mobilização de sua base histórica.

Substituto não será candidato em 2026, diz antecessor

Márcio Macêdo se despediu do cargo com um vídeo nas redes sociais, onde fez um balanço dos seus 34 meses de gestão e afirmou deixar a função com “sensação de missão cumprida”. Ele destacou que todas as promessas de campanha e propostas discutidas na transição estão em andamento ou foram implementadas.

Macêdo, que já foi deputado federal por Sergipe em dois mandatos, disse que será candidato em 2026, mas não revelou a qual cargo pretende concorrer. Sobre seu substituto, afirmou que Boulos não disputará as próximas eleições e desejou sorte ao novo ministro.

A troca, segundo relatos de bastidores, foi amadurecida ao longo dos últimos meses. Interlocutores do governo avaliam que a Secretaria-Geral precisa ter mais capacidade de articulação com movimentos sociais, em especial os ligados à esquerda, que têm demonstrado insatisfação com a pouca presença em espaços de decisão e na visibilidade dos programas sociais.

Pressão por mais mobilização social

A escolha de Boulos também reflete a preocupação do governo com a baixa capacidade de mobilização popular em torno das pautas sociais do Planalto. Um episódio marcante ocorreu em 1º de Maio de 2024, quando Lula fez uma cobrança pública a Macêdo devido à fraca adesão em um evento com centrais sindicais em São Paulo.

A nomeação de Boulos ocorre às vésperas de uma viagem oficial de Lula à Indonésia e à Malásia. A expectativa no governo é de que a presença de uma figura com forte conexão com os movimentos sociais possa revitalizar o diálogo entre a sociedade civil e o Palácio do Planalto, além de impulsionar a divulgação dos programas sociais em curso.

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