Senador e ex-vice Mourão

Mourão defende Bolsonaro, mas rejeita interferência de Trump

Há 7 meses
Atualizado sexta-feira, 15 de agosto de 2025

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) criticou nesta terça-feira (15) a interferência do presidente americano Donald Trump no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando a situação como problema interno brasileiro. O ex-vice-presidente reconheceu haver “injustiça” contra Bolsonaro, mas defendeu que cabe aos brasileiros resolverem a questão sem ingerência externa. A declaração ocorreu em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado, no mesmo dia em que a PGR pediu a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe.

Mourão foi enfático ao rejeitar a postura americana: “Eu não aceito que o Trump venha meter o bedelho num caso que é interno nosso”. O senador admitiu existir injustiça contra o ex-presidente, mas ressaltou que a solução deve partir dos próprios brasileiros.

A posição de Mourão aprofunda o isolamento político de Bolsonaro e seus filhos Eduardo e Flávio diante das consequências do tarifaço americano. Governadores de direita que inicialmente elogiaram Trump mudaram o discurso e agora buscam alternativas diplomáticas.

Conexão com sobretaxa americana

O tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros resulta diretamente da atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado licenciado mudou-se para território americano visando pressionar o governo Trump contra o Supremo Tribunal Federal.

Trump atendeu aos apelos de Eduardo ao anunciar a sobretaxa, citando explicitamente Bolsonaro e criticando o STF. A família Bolsonaro tem defendido que apenas uma anistia ampla pelo Congresso Nacional pode reverter as medidas punitivas.

O presidente americano justificou a decisão afirmando que o Brasil faz “uma coisa horrível” contra o ex-presidente brasileiro. Trump declarou acompanhar a perseguição contra Bolsonaro “dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano”.

Críticas ao poder americano

Durante a audiência senatorial, Mourão criticou a mudança na estratégia diplomática americana. O senador afirmou que Trump abandonou o “soft power” em favor do poder bruto da coerção e do dinheiro.

O ex-vice-presidente argumentou que a taxação também prejudicará os próprios americanos, demonstrando os riscos da política protecionista. A observação reforça a visão de que medidas unilaterais geram consequências negativas para ambos os países.

Mourão participou da audiência no mesmo dia em que a Procuradoria-Geral da República solicitou a condenação de Bolsonaro. O ex-vice-presidente havia antecipado sua defesa do ex-presidente nas redes sociais na segunda-feira (14).

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