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MP junto ao TCU pede investigação e suspensão de campanha de R$ 80 milhões sobre fim da escala 6×1

Há 4 meses
Atualizado sexta-feira, 19 de junho de 2026

Da Redação

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) apresentou, em 8 de junho, uma representação contra a campanha publicitária do governo federal sobre o fim da escala de trabalho 6×1. O documento pede a apuração da legalidade dos gastos e o exame de uma eventual medida cautelar para suspender a propaganda.

A representação foi assinada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado e protocolada com base no artigo 81 da Lei 8.443/1992 e no Regimento Interno do TCU. O texto pede ao tribunal que avalie contratos, valores empregados, conteúdo das peças veiculadas, cita precedente de 2019 e pede isonomia no controle de propagandas oficiais.

Comparação com o caso do “pacote anticrime”

O subprocurador-geral recorre à decisão de outubro de 2019, quando o TCU suspendeu a campanha do governo Bolsonaro sobre o “pacote anticrime”. À época, o relator Vital do Rêgo considerou que a divulgação de um projeto de lei ainda em tramitação não tinha caráter informativo suficiente.

Para Furtado, a campanha sobre o fim da escala 6×1 guarda semelhanças com aquele episódio, já que a proposta também está em tramitação no Congresso. A medida foi aprovada na Câmara, mas ainda depende do aval do Senado.

A representação destaca que a campanha de 2019 custava cerca de R$ 10 milhões, valor bem inferior aos R$ 80 milhões hoje destinados à divulgação do fim da escala 6×1. Para o subprocurador-geral, essa diferença reforça a necessidade de coerência institucional.

Conteúdo da campanha e contexto orçamentário

A campanha foi lançada em maio pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) com o mote “tempo com a família”. Segundo a representação, as peças têm tom de celebração e atribuem a medida como conquista da atual gestão.

O documento cita reportagem do jornal Folha de S.Paulo, segundo a qual a verba destinada à propaganda do fim da escala 6×1 é o dobro do valor gasto com a campanha sobre a isenção do Imposto de Renda em 2025. A reportagem também aponta que o montante supera os R$ 45 milhões usados para divulgar a nova etapa do programa Desenrola Brasil.

Furtado argumenta que o artigo 37 da Constituição exige que a publicidade institucional tenha caráter educativo ou informativo, sendo vedada a promoção pessoal ou política. Para ele, a campanha extrapolaria esse limite ao adotar tom de celebração de uma conquista de governo.

Pedidos feitos ao tribunal

A representação solicita quatro providências ao TCU: a análise dos gastos com a campanha, a divulgação de critérios usados pelo tribunal para fiscalizar propagandas institucionais, a apreciação de medida cautelar e, ao final, a eventual responsabilização de gestores.

Antes mesmo do protocolo no TCU, a Justiça Federal do Distrito Federal já havia determinado, em 16 de junho, que o governo suspendesse em 48 horas os impulsionamentos pagos da campanha nas redes sociais.

Cabe agora ao presidente do TCU, ministro Bruno Dantas, decidir se a representação do MPTCU será admitida e distribuída a um relator para análise do mérito e do pedido de medida cautelar.

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