Por Carolina Villela
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a ampliação do horário de visita dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro na tarde desta terça-feira (23/6), a partir das 14h, para que a defesa possa preparar o cliente para o depoimento que ele prestará à Polícia Civil às 15h no endereço onde cumpre prisão domiciliar humanitária. A medida, na (EP) 169, atende a pedido da defesa, que alegou necessidade de mais tempo diante da restrição ao uso de comunicações eletrônicas imposta pelo regime da domiciliar.
O depoimento está inserido no Inquérito Policial nº 672/2026, aberto pela 17ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, e gira em torno de uma pistola Glock registrada em nome de Bolsonaro que foi encontrada com um militar de sua equipe de segurança durante uma blitz da Polícia Militar do DF, na última segunda-feira (15/6).
Intimação frustrada levou Moraes a autorizar oitiva
O depoimento foi autorizado por Moraes na última sexta-feira (19/6), após a Polícia Civil encaminhar ofício ao STF relatando que não havia conseguido intimar pessoalmente Bolsonaro. Segundo o documento, a equipe de escolta responsável pela segurança do ex-presidente impediu a efetivação do ato, inviabilizando a ciência pessoal do intimando — situação que levou o ministro a intervir diretamente para garantir a realização da oitiva.
O prazo da prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro encerra nesta quinta-feira (25/6). A medida foi autorizada por Moraes por 90 dias, após a alta hospitalar do ex-presidente em 24 de março, quando ele estava internado para tratar um quadro de broncopneumonia. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Arma encontrada em blitz amplia pressão pela revogação da domiciliar
O episódio da arma encontrada na blitz motivou o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) a apresentar na semana passado novo pedido ao STF pela revogação da prisão domiciliar e pelo retorno de Bolsonaro à Penitenciária da Papuda. Na petição, o parlamentar classificou o caso como descumprimento de medida cautelar e fato novo relevante.
Entre os pedidos de Lindbergh estão a oitiva urgente da Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliação da revogação da domiciliar, o agravamento imediato das condições de cumprimento da pena caso a revogação não seja decretada, a identificação nominal dos agentes que compunham a escolta no momento da blitz e a requisição de imagens de câmeras de segurança da residência e arredores para preservação de provas.
Defesa vincula arma a cuidados com saúde mental de Bolsonaro
Na última quarta-feira (17/6), os advogados de Bolsonaro apresentaram sua versão dos fatos. Segundo a defesa, a pistola Glock está devidamente registrada em nome do ex-presidente, com Certificado de Registro expedido pelo Exército Brasileiro em junho de 2019, e sua guarda na residência seria compatível com a condição de proprietário regular.
A explicação para a presença da arma com o militar, segundo os advogados, está ligada à saúde de Bolsonaro. A equipe de segurança teria retirado, sem o conhecimento prévio do ex-presidente, o percursor da arma — peça essencial para o disparo —, tornando-a inoperante. A medida teria sido adotada como precaução em razão do uso de medicações psiquiátricas por Bolsonaro, que poderiam afetar sua cognição. Ao notar a falha no funcionamento da pistola, o ex-presidente teria entregado o armamento a um segundo-sargento do Exército com experiência no modelo para identificação do problema e manutenção — o que explicaria por que a arma estava com o militar no momento da abordagem policial.